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Hoje em dia para se conseguir um emprego passamos por várias etapas.
A consulta de jornais e o tormento de conseguir entrar em contacto através de uma linha telefónica, quer fixa quer móvel, que estão permanentemente ocupadas ou na caixa postal.
A entrega dos Curriculuns Vitaes quer por correio, quer nos pontos de recolha de anúncios, isto já para não falar na pipa de massa que se gasta em transportes, só para entregar o desgraçado do Curriculum e a espera eterna de uma resposta a tal.
Temos também a possibilidade de nos inscrever nas empresas de recrutamento de pessoal.
Mas aí atenção!
Começamos com a deslocação até esses locais.
Mais outra pipa de massa em transportes...
A entrada e o dar de caras com a recepcionista, que já por estar a trabalhar nos olha de alto, atira-nos uma ficha de inscrição para preenchermos e com maus modos ordenam que esperemos até nos chamarem.
Normalmente as salas destas empresas estão repletas de candidatos que se entre olham quase comendo-se uns aos outros só com o olhar.
E quantos mais forem, menos possibilidades se tem de conseguir o tão esperado emprego.
Mas cuidado com as fichas de inscrição, muitas têm ratoeiras, do tipo o que faz o conjuge, quanto ganha, estão a ver?
Depois vem a entrevista com um ou uma doutorazeca, mal saída ainda dos cueiros, com umas grandes peneiras e ar de superior.
Muitas destas empresas chegam a cobrar um X pela nossa inscrição.
O que quer dizer que começa aqui a vigarice!
O que vocês não sabem é que ao começarem a trabalhar através destas empresas, elas ficam com metade do vosso salário.
Normalmente são trabalhos temporários e não para preênchimento dos quadros da empresa.
Porque será?
É obvio...
É muito melhor pois fazem circulação de pessoal, contribuem para os números de índice de emprego e estão sempre a explorar e a ganhar.
Depois vem por fim e porque é mais moderno, mais IN, mais prático, sem ter de sair de casa e completamente grátis a busca pela INTERNET.
O envio de Curriculuns é imediata através de e-mail para os vários sites de empresas de recrutamento.
Além que se pode pesquisar ao mesmo tempo os classificados de vários jornais, empresas públicas, etc.
Depois de toda esta batalha, começa uma outra guerra.
As entrevistas...
Já vos falei daquelas entrevistas feitas pelas agências de emprego.
Vamos então ás entrevistas que foram marcadas por várias empresas.
A malta tenta ir o mais apresentável possível, sorriso de orelha a orelha e dá o seu lado melhor tentando vender a sua imagem e personalidade na esperança de convencer o futuro patrãozinho.
No fim de gasto todo o nosso latim, estendem-nos a mão e dizem:
Bom dia ou boa tarde, tive muito gosto em falar consigo, até ao final da semana damos uma resposta.
Ah ah ah só se for na semana dos nove dias, pois a resposta nunca chega.
Outras entrevistas que ocorrem é quando a pessoa que fala connosco nos pergunta, se somos preconceituosas, se temos disponibilidade para ficar até mais tarde, se podemos viajar, se somos livres de espirito ou temos de dar satisfações aos papás ou se formos casadas, aos maridos.
Enfim perguntinhas muito inocentes...
Tão inocentes como os seus olhares que nos percorrem o corpo de alto a baixo, mal entramos para a maldita entrevista, os sorrisos babões e olhos arregalados, as mãos suadas, as bochechas vermelhas e o gaguejar ao nos enfrentarem cara a cara.
Tem também aqueles que passam a vida a perguntar:
Entendem?
Fazem-nos dezenas de vezes, o que muitas vezes dá vontade de dizer:
Não, não entendi é que sou loira não vê?
Por último temos aqueles que no fundo até são sinceros, precisam de uma empregada mas que lhes façam uns servicinhos á parte...
Umas horinhas extra... Estão a topar?
Mas nada melhor que uma boa joelhada nos iiiiis não resolva e enquanto cantarem de fininho, por consequência não se metem noutra.
Mas não pensem que são só as mulheres vitimas das entrevistas.
Eles também passam pelo mesmo.
Também lhes tiram as medidas todas, centímetro por centímetro, ouvindo também piadinhas, olhares devoradores, enfim é compreensível pois também existem muitas patroas.
E a verdade é que se eles mordem o isco, já lá canta o emprego e para a patroa, um bom piteuzinho...
Elas nem se importam de lhes ensinar o B A BA.
Ou seja elas dão-lhes a oportunidade de “crescerem” com a “empresa”.
Não é preciso ter um curso de psicologia para analisar toda esta gente, pois a maneira como se sentam, se vestem, falam e exprimem, é fácil de tirar conclusões.
Das duas uma, ou se entra no jogo, arrisca e ganha desta vez o emprego, para depois se sujeitar a um determinado numero de situações, ou então ficará eternamente á procura de emprego, a gastar o seu latim nas entrevistas e o pouco dinheiro que tem, nos transportes afim de se deslocar ás moradas das empresas onde se é aguardado.
Isto já para não falar na pura perda de tempo.
No entanto se anda á procura de emprego, BOA SORTE!
(IN “ Empregos “ 2005)
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