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Alexa Wolf

   

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© Alexa Wolf

     

 

É fim de semana.
Está um sol lindo.
A temperatura convida a sair e a gozar este dia perfeito.
As crianças estão animadas, e nós também precisamos de espairecer.
É justo!
Afinal passámos a semana inteira nas bichas de estradas ou auto-estradas e pior ainda se formos de transportes públicos, feitos sardinha em lata, aos encontrões e ás refilices do costume.
Depois o stress do escritório, o patrão aos berros, os clientes chatos, a colega que nos inveja, enfim.
Mais uma vez enfrentamos a odisseia que fizemos pela manhã, o transito, só que desta vez de volta para casa.
Parece que vai ser um descanso não?
Desenganem-se!
Então o banho das crianças?
O jantar por fazer?
A roupa para tratar?
Enfim, bendito fim de semana que nos deixa ficar mais um pouco na cama.
Mas agora que o sol já convida e as crianças precisam de brincar, a maioria da malta vai para os jardins mais In lá do sitio.
Pois é, aqui é que começa o grande problema.
Toda a gente teve a mesma ideia e lá vamos nós novamente para os engarrafamentos como porcos para o matadouro.
Buzinão daqui, palavrão dali e com a paciência a rebentar pelas costuras, lá vamos nós.
O panorama é bem pior que o do dia de semana.
Sabem porquê?
Porque é domingo!
Quando finalmente chegamos ao nosso destino, já é um pouco tarde mas ainda dá para as crianças se divertirem um bocadinho no jardim.
Mas esperem lá, isso era muito bonito se o acesso estivesse indicado correctamente.
O jardim está do nosso lado direito, mas tenho o sinal que me proíbe de virar á direita.
Cum Caneco!!!
Damos voltas e mais voltas, percorremos quase uma localidade inteira para finalmente conseguir encontrar o caminho correcto para o desgraçado do jardim.
Chegámos!!!
Que festa!
Mas...
Pois é...
E lugar para estacionar o carro?
Voltas e mais voltas, cada vez mais distantes do jardim, mas nem mesmo assim, lugarejo para o pópó...
Nadica de nada.
Olha, aquele está dentro do carro, deve ir sair... – digo eu.

Paramos juntos ao outro carro, fazemos sinal, mas é mera ilusão.
O senhor só está bem instalado no carro, com o radio ligado a ouvir o desafio de futebol.
Francamente já é demais!
Como se não bastasse os putos já fazem uma birra.
Estão fartos de estar no carro.
Estou a ver o tempo a passar e o jardim e as suas brincadeiras não vão passar de um sonho...
E quem os atura depois?
È que coitados, os miúdos estão cobertos de razão!
Mas nem tudo é assim tão ruim.
Finalmente aparece um lugarzinho á nossa espera ufa!
Ufa?
Estamos quase a dois quilómetros de distancia do jardim.
Mas que empreitada!
Mas que remédio, tinha sido prometido!
Depois de muita brincadeira, está na hora de voltar.
Quando saem dão-se conta da caminhada que tem de enfrentar de volta.
È muito agradável ir aos jardins, mas e os acessos?
O estacionamento?
Não era mais fácil fazerem como nas grandes superfícies comerciais?
Tabuletas indicativas quase de cinquenta em cinquenta metros?
Então e um parque de estacionamento respectivo?
Já muita gente se insultou e se bateu por causa de um mísero lugar!
Era tão mais fácil a ideia que proponho, mas dá muito trabalho né?
Enfim há quem goste de sofrer com estas coisas.
Andem a pé que faz bem á saúde, não causa engarrafamentos e não é necessário espaço para estacionar absolutamente nada.
Andem, meus queridos que ajuda também a manter a linha e as curvas!!!

(IN “Jardins” 2005) 

    

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