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Esta história é muito parecida com uma outra que já vos contei pois o animal é da mesma família!
Em circunstâncias diferentes mas o seu conteúdo é idêntico.
Como toda a gente sabe no sul de Portugal ainda existem muitas casinhas simples com uma porta no meio e uma janela de cada lado.
Nada demais, normalmente nas traseiras fica o quintal que cada um faz e decora como quer.
Neste caso, apesar da casinha ter as modernices todas, ainda tinha no quintal um telheirinho com um tanque dos antigos e os respectivos estendais.
Este quintal estava engraçado com aquele telheirinho, um cubículo com uma cozinha improvisada, o chão de cimento com mesas e cadeiras de jardim, para o verão se comer ao ar livre.
Muitos de nós gostaríamos de ter uma casinha destas de verão não é?
Não queriam mais nada...
As crianças também aproveitavam aquele espaço quando vinham da praia para brincarem mais um pouco.
Mas naquele dia não podia ser a mãe tinha posto os estendais com a roupa toda lavada para enxugar.
Além disso não iam comer em casa, pois havia sardinhada organizada pela praia que frequentavam.
Ia ser um dia em cheio, ou seja, o dia todo na praia a comer e a beber, ficar de papo para o ar, desfrutar o dia todo.
E assim foi um dia inesquecível.
Já era tarde, estava na hora de voltar para casa, tomar um bom banho, fazer o jantar e ainda havia a roupa que tinha de ser tirada dos estendais.
Tadinhas das crianças estavam estafadas, estavam a comer e quase a bater com as cabecitas na mesa, de tão cansadas e ensonadas que estavam.
Mal acabaram de comer, caíram nas camas e só acordariam no dia seguinte.
Hoje o silencio em casa era rei!
O seu marido tinha puxado de uma cadeira no quintal e estava a desfrutar do arsinho que corria, também ele estava um pouco cansado.
Ainda pediu á mulher para se sentar ao pé dele a descansar e que tratasse da roupa no dia seguinte.
Mas não podia ser, a roupa tinha estado todo o dia ao sol.
Já estava ressequida.
Então ele com carinho oferece-se para a ajudar a dobrar a roupa, pois ela coitada também devia estar estoirada.
Que lindo!
Quanto amor...
Mas era mesmo verdadeiro!
E assim foi!
Começaram a tirar as roupas dos estendais.
Primeiro os lençóis e turcos, as roupas grandes, depois as pessoais.
E finalmente as roupas íntimas.
Estava tudo a correr tão bem, não fosse a senhora agarrar numas cuecas do marido pelos fundos e sentir uma coisa mole, morna dentro delas.
A senhora ficou sem fala, estática, branca como a cal, digamos que paralisada.
O marido achou estranho e chegou-se perto dela tentando entender o que se passava com ela.
Estaria a sentir-se mal?
Ajudou-a a sentar-se mas ela não dizia um piu.
Alguma coisa a tinha assustado e estava na roupa.
Resolveu investigar.
E não é que descobriu?
Também o coração dele pulou um pouco mas a curiosidade era demais e espreitou para dentro das ditas cuecas.
Não é que um estúpido de um rato tinha lá ficado preso?
Ele entendeu o susto que a mulher tinha apanhado.
Ele á primeira impressão tinha ficado um pouco desconcertado.
Por isso apressou-se a tirar o bicho dali.
Claro que aquela peça de roupa também teve um fim, o caixote do lixo.
Depois beijou a mulher, encostou a cabeça dela no seu peito enquanto lhe dizia que estava tudo bem, que já tinha passado.
Deve ser impressionante deparar com uma coisa assim e ainda por cima dentro de umas cuecas estendidas.
Mas o que é que lhe teria passado pela cabeça?
Não comento!
Imaginem vocês.
Sei que têm uma imaginação bastante fértil.
Não se façam de santinhos...
Quem não vos conhece, que vos compre.
E depois quem tem mau feitio sou eu , não é?
Eu é que tenho a fama e vocês é que se divertem...
Ai, ai, ai.
(IN “Animais” 2006)
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