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Alexa Wolf

   

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AS BARRIGUINHAS
© Alexa Wolf

     

 

Vou começar por dizer que não sou só eu a queixar-me deste problema.
Normalmente as primeiras vitimas são as crianças por serem pequenas e a sua estatura não permitir uma visão mais alargada.
Mas há adultos como eu que ficam piores que ursos, quando entram numa pastelaria e tentam ver a variedade quer dos bolos quer dos salgadinhos.
Ou seja missão impossível!
Quase sempre existem umas baleias fora de água que adoram comer ao balcão pausadamente e deixando as suas barriguinhas a descansarem coladinhas ás vitrines dos respectivos balcões.
E mesmo com a melhor da nossa boa educação pedindo licença para dar uma espreitadela, aqueles marqueses e marquesas “de la Peida” não se movem nem um milímetro.
É nessas alturas que me apetecia ter um alfinete pequeno á mão, dar uma boa picadela naqueles cus gordos, fazer de conta que também fui vitima do mesmo e aproveitar para dar uma espreitadela á vitrine.
Que péssimo costume!
Também não entendo como é que nestes estabelecimentos comerciais é permitido tal abuso.
Uma das soluções seria criar vitrines ponteagudas assim ninguém se atreveria a encostar as banhas muito bem escondidas por debaixo das roupas e dos casaquinhos.
Então e quando se lembram de se porem á conversa uns com os outros?
Ou até mesmo com os empregados de balcão?
Então ai sim, acho que nem com alfinetadas, quem sabe se com uma buzina em spray como se usam nos desafios de futebol.
Um belo susto, talvez chegasse para recuarem dois passos e por segundos e podíamos dar uma olhadela geral á comida exposta.
Não acredito que ninguém ainda não tenha sido vitima desta situação.
E depois eu é que sou mázinha!
Isto já para não falar quando não só encostam as barrigas ás vitrines como também sentam e alargam as asas em cima do balcão.
É tão ridícula, esta situação que nem sei como chama-la, mas que chateia ai isso chateia.
Por isso muitos se queixam que alguns clientes fugiram para outros cafés da concorrência.
É normal não acham?
Eu faço isso mesmo.
Se não estou bem mudo-me.
Alguns dizem:
Mas nós não temos culpa as pessoas é que se encostam.
Têm culpa sim senhor!
Porque o permitem.
Porque não fazem absolutamente nada para resolver o problema.
Por isso não se queixem.
Fora de Portugal vi várias casas deste tipo onde colocaram no chão uns obstáculos metálicos afastados da área das vitrines.
Mas acho que aqui em Portugal não resultaria.
Poderia acabar com as barrigas encostadas, mas com certeza criaria uns cus espetados para o lado de fora, afim de continuar a por as asas em cima do balcão.
É complicado.
Mas devemos ficar calados?
Deixar que gozem com a nossa cara e o nosso estomago, que ás vezes ronca de foméca?
Enquanto estes já têm as panças cheias e fazem isto por arrogância.
Será que lixar os outros dá saúde e aumenta os estrato social?
Desculpem-me então, pois então não passo de uma pobretanas, uma doente!
O tanas!
Doentes são eles, uns verdadeiros atrasados mentais, pois ninguém no seu perfeito juízo faria uma coisa destas.
E porquê?
Eu parto do principio pelo que se rege o velho ditado “ não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti”.
Até parece que têm o rei na barriga.
Eu diria que o pobre rei não merecia tal castigo, por isso prefiro dizer que têm mas é a massa gordurosa no lugar da massa cinzenta.
Por isso meus lindinhos vejam onde colocam as vossas barriguinhas.
Senão... Estou lá eu a dizer das minhas

(IN “Pastelarias” Setembro 2006) 

    

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