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Quando falamos em jardins infantis, vem-nos à mente a imagem de um espaço verde enorme, com baloiços e bancos de jardim para os adultos descansarem enquanto que as crianças brincam livremente, na relva, jogam à bola, ou desfrutam dos baloiços de várias cores e formas.
Mas quem acredita neste cenário?
De certeza que quem acredita não vive neste mundo em que a realidade é bem diferente.
Durante as manhãs de sol, feriados e fins de semana é ver os avós e as avósinhas que se dirigem todas babadas de mão dada com os nétinhos para estes locais de lazer infantil.
Só que eu coloco a seguinte questão:
Será mesmo que estes locais são verdadeiramente locais para os mais novos?
O que normalmente acontece é que chegando aos parques, as crianças são largadas à sua sorte e às suas brincadeiras, sozinhas, enquanto que o devido olhar vigilante se distrai por completo por conversas e olhares.
As avózinhas tão queridas e ternurentas entretêm-se em cortar na casaca umas das outras e quando o assunto se esgota a conversa de escárnio e mal dizer diverge para a única parte da família que, a bom da verdade já faz parte da praxe...
São sempre o motivo de conversa, criticas maliciosas e um descrever pormenorizado daqueles seres diabólicos que são:
As suas queridas e amadas NORAS!!!
Esgotado mais uma vez o tema, passam ao assunto que lhes enche um outro gosto...
O das papilas gustativas.
Que ricos petiscos elas sabem fazer...
E os cantinhos onde há e provaram uns outros tantos petiscos a preços muito baratos, onde foram tratadas como rainhas.
E que se fizeram publicidade ao levar os amigos, têm desconto, mas é tudo por encomenda e é só porque é por especial favor para elas.
Como se as casinhas ou tasquinhas de petiscos funcionassem apenas em prol da vontade destas avózinhas.
Entretanto as crianças continuam a brincar à vontade, fazendo tudo o que lhes apetece pois a avó continua na conversa e não se dá conta das traquinices dos nétinhos.
Quando finalmente fecham as suas boquinhas santinhas abrem os seus ricos saquinhos, tiram as rendinhas e vão comparando os seus trabalhos manuais umas com as outras.
Em contrapartida a um outro canto e a um outro banco de jardim com a respectiva mesa encontram-se os avôzinhos que fazem jogos muito educativos.
Jogam à Sueca, às moedas e fazem-se verdadeiras apostas, acabando os joguinhos da moda, finalizarem em grande algazarra, com lidos palavrões e acesas discussões.
Acalmados os ânimos e para disfarçar mais um pouco o assunto que ainda paira no ar, vão falando em política.
Mas atenção...
Este também é um assunto delicado e onde havia antes uma airosa conversita, existe agora um autêntico debate político.
Quando a coisa se torna mais quente, concordam em uníssono que eles sim, eles mesmos é que deveriam ter cargos na Assembleia da República, pois já passaram por várias fases e governos durante o período em que trabalharam, dando-lhes tempo agora, para poderem pensar melhor uma vez que estão reformados, o que lhes dá disponibilidade absoluta para se poderem dedicar às coisas mais intelectuais.
Apesar da sua singela quarta classe, têm tudo aquilo que um político não tem...
Experiência de vida!!!
O político já nasceu Doutor, por isso só quer encher o tacho, dar dinheiro às amantes e tapar as asneiras dos filhos e dos amigos, principalmente se estes estiverem ligados ao futebol...
Eles não...
Eles sabem o que é trabalhar no duro e ver as desgraças do dia a dia, junto de outros tantos trabalhadores, que com eles sofriam as passinhas do Algarve nas garras dos patrões que só sabiam encher a pança à custa de quem amochava para que as suas empresas produzissem.
Por vontade deles todos os que não fossem nacionais, fossem antes recambiados para a terrinha deles e desamparassem a loja do País.
Se fossem eles a mandar punham a malta nova a trabalhar no duro durante as férias da escola, pois em vez de andarem para aí a vadiarem, começavam a ganhar o pão que comem.
Saberiam dar valor ao dinheiro que lhes custariam o suor e também ganhariam experiência!
Que é o que lhes falta!!!
Eles quando eram cachopos, também foram trabalhar para as obras a acartar com sacos de cimento na lombeira e não morreram por causa disso.
Aliás estão ali, rijos e bem vivinhos da Silva para contarem a história e sem problemas de saúde!
Mas não eram os únicos...
Essa malta da policia, tinha de mudar ai se tinham.
Teriam treinos intensivos e quando tivessem panças de fazer inveja a uma grávida, seriam despedidos!
Esses senhores não teriam direito a molengar...
Isso é que era bom!
Não queriam mais nada...
É que isto de apanhar malandros exige grande esforço e dedicação.
A policia não pode servir apenas para vestir uma farda e fazer-se exibir para engatar as moçoilas...
Vendo bem as coisas, para eles a decisão mais acertada seria acabar com todos os policias e criar apenas um corpo de intervenção.
Uma coisa do tipo:
Policia para todo o serviço!!!
Credo!!!
Mais parece o titulo de um filme pornográfico...
Mas quem sou eu para discutir estes assuntos com estes senhores?
Por vontade deles eu deveria andar talvez nas obras para ganhar a experiência deles.
Em vez disso, vingo-me aqui!
Será que eles também têm suficiente experiência para escreverem?
Ou será que falar é mais fácil?
Escrever?
Nã...
Dá muito trabalho!
Mas não nos desviemos do que se trata...
Ideias não faltam a estas alminhas geniais que me deixam presa a ouvir todos os seus comentários.
Um cada vez melhor que o outro...
Não comento nem julgo as suas ideias, pois cada um que ler as minhas escritas tem capacidade de concordar ou não com eles, ou com a minha ironia e não pensar em coisa nenhuma.
Continuando...
O nosso País nas mãos destes senhores entrava na ordem, ai se entrava...
A tropa...
Esses parasitas que não fazem nenhum, passariam a andar nas matas.
Não a passear, claro está, mas sim a limpa-las, não só evitariam a propagação de fogos como também justificariam o dinheiro que lhes é atribuído no pré...
Esses “Macacos” ganhariam assim experiência no “campo”, além que seriam uma boa ajuda no combate aos fogos dando apoio material e humano aos bombeiros.
Essa tropa fandanga, malandrões que não querem é fazer nenhum...
Aqui para nós, era engraçado ver um general de cu para o ar a apanhar ramos e folhas secas, embrenhado mata adentro entre urtigas e silvas...
Mas o discurso continua.
Quanto aos presos nas prisões, esses malvados, ou entrariam nas regras ou sofreriam nas lonas para aprenderem.
Nada que umas boas sapatadas e um cinto, para os fazer vergar, malandros...
Um pouco de inducação nunca fez mal a ninguém, nem nunca matou ninguém...
Realmente fico espantada com as coisas que oiço e vejo e tudo com gente de “grande sabedoria e experiência”!
Quanto às mulheres, ai essas criaturas...
Essas deviam era ficar em casa a cuidar da casa e dos maridos, dos filhos e dar lugar aos homens no mercado de trabalho em vez de lhes roubarem as oportunidades.
Veriam como o desemprego desapareceria e a delinquência infantil e juvenil acabaria, ficando presos em casa aos cuidados das mães, em vez destas andarem a roubar os cargos importantes aos homens que precisam de os desempenhar.
Porque a bom da verdade, todos nesta vida têm o seu lugar:
O Homem, é quem sustenta a família e a casa, por isso o seu lugar é a trabalhar.
A mulher é quem deve cuidar da cassa, fazer a comida e a tratar da roupa, inducar os filhos e servir o seu amo e senhor...
E por ultimo, os filhos, o seu lugar é na escola a aprenderem e em casa a estudarem.
Enfim, graças a Deus que se fez tarde e tiveram de levar as crianças para casa depois dos avós que deviam ter observado as suas brincadeiras no jardim, levaram o tempo todo com as suas tácticas fabulosas para porem o País às direitas...
Francamente...
(IN “ A nossa Inducação” Março de 2007)
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