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Alma Collins

   

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Casamento por conveniência
© Alma Collins

     

 

Francisca queria se casar
O ideal era um homem rico para seu par
Procurava-o em todo o lugar
Já pensava em não encontrar

Andava e andava ao léu
Com um ar tristonho, puro fel
Mas eis que como uma gota de mel
O seu sonho se tornaria realidade fiel

Mario era um homem com pouca qualidade
Mas seu pai possuía muito dinheiro na verdade
Doava altas quantias por caridade
Era um homem honrado com lealdade

Francisca pensou: “Achei o par perfeito!”
O filho, como é de direito
Herdará toda a fortuna num futuro estreito
E se casará comigo sem nenhum preconceito

Ela se casou com Mario como queria
Começou a conviver como marido e mulher dia após dia
O interesse pelo dinheiro já não era suficiente, percebia
Para permanecer com aquele homem em parceria

Os dias se passaram e o velho não morreu
Mario gastou tudo o que era seu
E o sonho de Francisca desfaleceu
Pois nem em um restaurante caro ela comeu

O tempo passou
E a vida de Francisca infernizou
Mario mandou que ela trabalhasse fora. Pasmou?
E foi aí que ela se separou

Partiu desiludida
O que fez de sua vida?
Tornou-se uma mulher sofrida
Sem pouso, sem teto, sem guarida

Mario casou-se outra vez
Com uma mulher rica, com muita altivez
E Francisca foi trabalhar de empregada doméstica na Vila das Mercês
Carregando consigo o sonho que se desfez

Parece que a justiça sempre aparece
Para quem não esquece
Que a honestidade aquece
Aquele que com amor enternece. 

    

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