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O meu avô artista foi no barro.
E o meu pai aprendeu dele também.
Não sei como escolheu a minha mãe
Que fez nascer, então, um ser bizarro.
Não sei se é isso que por fim agarro
Dos pensamentos já que vão além.
Eu sei que gosto ser como ninguém:
-Pensar, moldar e, assim sair um jarro…
Não sou inerte nem sou uma flor!...
Se foi do barro que eu nasci assim,
Sei que fui feito com todo um amor:
-Foi sem alarde ou toque de clarim:
-Foi com certeza com muito pudor
Que se reflecte no meu ser, em mim!
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