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Era uma vez
Há muito tempo atrás
Uma bela flor
Que de tudo era capaz
Chamava-se Letrasdoiro
Adorava passear
Mas de facto não podia
Nunca sair do lugar
Um dia o girassol
Começou a troçar dela:
-Letrasdoiro! Nome feio!
Não se calava com aquela
Depois então era a rosa
Toda brilhante e formosa
Achava-se a mais bonita
Mas era muito vaidosa:
-Letrasdoiro, nome estranho!
Não tens vergonha de ti?
Também só sabes chorar
Pelos cantos, aqui e ali...
Depois era o malmequer:
-Com a cantiga dos amores
Sou mais famoso que tu
Bem - te - quero, mal - te - quero
Lá fico despido e nú.
Depois vinha a orquídea
A armar-se com seus filhos:
-Das flores são os doutores
Mas só eram empecilhos!
Com tanto gozo das flores
Letrasdoiro estava farta
Ergeu sua voz dizendo:
-A todas as flores presentes
Aqui neste amplo jardim
E às que só sabem zombar
E teimam em rir de mim
Não me chamo Letrasdoiro
Essa não é a verdade
Chamo-me sim Poesia
Com muito amor e vontade
E quis apenas brincar
Que isso não é maldade
Faço os meus versos cheirosos
Faço quadras perfumadas
Escrevo com palavras de ouro
Conto histórias prateadas
Faço poemas coloridos
Textos sérios e brilhantes
Faço tanta coisa linda
Deixo as pessoas contentes
E se voltarem a gozar
Atiro-vos c`um verso à cara
Sou bela , sou Poesia
Estarei a ser bem clara?
Não gosto de violência
Mas tenham lá paciência
Poesia não é insulto
Dá ao mundo bela essência!
E assim termina a história
Da flor da Poesia
Com seu brilho cintilante
E seu toque de magia…
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