Hoje eu
gostaria de escrever coisas bonitas
que fizessem meu coração sorrir,
no entanto, o grito amarrado na alma
é muito mais forte abduzindo-me da condução do
desejo.
Lembro-me
de um tempo não muito distante
perdido no passado quando tudo fluia em harmonia
foram dias de paz, paz interior onde não havia espaço
para a dor
medo
melancolia,
só
a rebeldia que me é inata
possuia lugar cativo..
esta pelo menos nunca me abandonou,
como também nunca atrapalhou meu sonhos
Havia
uma força intima imensa
uma vontade de crescer
de percorrer as serras interioranas
de descobrir todas as belezas do mundo
Aos
poucos fui percebendo a verdadeira face do universo
tão diferente daquela que povoava meus pensamentos,
uma realidade fria e calculista onde cada ser dito
racional,
vive em exacerbada paixão de interreses próprios.
E
a cada nova revelação passei a refrear meus sentidos
deixei-me engolir para não sofrer.
Reclusa em imagens que brotavam da minha própria consciência,
criei asas imaginárias, construi castelos suntuosos,
semei flores em todas as janelas
caminhei entre campos férteis e tridimensionais
Fiz-me justiça, fui valente,
coloquei de lado armas e defesas.
Fiz-me água cristalina
Fiz-me vida.
Todavia,
enganei-me mais uma vez.
Os sonhos podem até impulsionar o mundo
mas, não passam de reações inconscientes,
libertação fictícia
Hoje
não há palavras bonitas
não há sorriso nos olhos
tampouco estrelas desnudas
a vista em telhados de vidro
Há
somente a intensa e crua
verdade de cada um armazenada
em preto e branco.
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