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Andréa Motta

   

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É p´ra ti que escrevo
© Andréa Motta

 

 

(Mote: "Porque tu deixas em mim tanto de ti" - Pedro Abrunhosa) 


É p'ra ti que escrevo, nesta manhã chuvosa 
porque tu deixas em mim tanto de ti 
me fazes sentir tua alma no balanço das folhas, 
no vôo irrequieto das andorinhas 

É p'ra ti que escrevo, no reflexo do espelho 
pois é na inversão da imagem que teus dedos sorriem 
porque tu deixas em mim tanto de ti 
no silêncio das madrugadas. 

Porque tu deixas em mim tanto de ti, 
é p'ra ti que escrevo, por acreditar que além da mente 
o corpo também voa, e cada passo deixa de ser 
um sonho cruel no rastro de teus segredos. 

Porque tu deixas em mim tanto de ti, 
é p'ra ti que escrevo, para te dizer que aprendi 
com este misto de saudade e ansiedade impregnada 
na ausente presença delineada na janela embaçada. 

É p'ra ti que escrevo, na fechadura do instante, 
porque tu deixas em mim tanto de ti 
na tua voz rebelde de poeta, no desejo apertado 
de abraçar o vento e ancorar tua nau inquieta. 

Porque tu deixas em mim tanto de ti, é p'ra ti que escrevo 
para que saibas que no leito das tuas palavras 
eu me deito e encontro sossego, seco meu pranto 
e adormeço na saliva que do teu peito brota. 

É p'ra ti que escrevo 
para desvendar tua teia sagrada 
para entender por que tu deixas em mim tanto de ti 
porque teces a luz da manhã e preenches meu olhar vazio. 

  

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