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Como vento
em desatino e sem norte
Vão-se os pensamentos divagando
Encontra um mar distante inerte,
intocável; um barco navegando...
instável e preso a própria sorte
e só, sem mais nada que o liberte.
A rota marcada...hoje...perdida
em meio a mar bravio e tempestade
deixa então o vento soprar as velas
Não importa que fique a deriva
a sofrer e a sangrar abertas mazelas
marcando p'ra sempre a realidade.
Que a distância é a pior das dores
que o oceano é o pior inimigo
que o sonho é difícil de realizar.
E o tempo é o nosso melhor amigo
demora, mas ele vem p'ra avisar
que além-mar, não se sente sabores.
E ainda sem porto e rumo certo
segue o vento, o barco balançar
no meio do nada silencioso
e o coração, ainda duvidoso
que teima este oceano cruzar
não imagina aportar num deserto.
A tempestade tornar-se-á areia
as ondas bravias só dunas serão
a enterrar os pés um dia encharcados
da água salgada só resta a poeira
afunda nas águas o meu galeão
sonhos de outrora...todos enterrados.
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