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Nas minhas deslocações pela cidade, tratando dos meus assuntos, deparei-me há dias, com uma curiosa loja de mercearias.
Ia andando pelo passeio de uma rua da cidade antiga, quando uma velha e estreita porta me despertou a atenção, já que há entrada, ostentava pendurados em cachos, velhos objectos, que quando me aproximei verifiquei serem badalos, e outras ferragens usadas pelas casas agrícolas nos arreios das montadas.
Curiosa como sou, espreitei para o interior, pensando ser uma espécie de loja de antiguidades, mas qual não foi o meu espanto, ao ver caixas de madeira com frutas, ao lado de pacotes de detergentes, garrafas de azeite e vinho....e....espanto dos espantos...vários objectos antigos, ou talvez melhor dizer velhos, coabitando por ali.
Fui entrando cuidadosamente para ver de perto, porque o espaço era exíguo, deixando apenas um estreito e escuro corredor e não queria tocar acidentalmente qualquer um dos artigos expostos.
Então fui-me me apercebendo da aparente confusão que por ali reinava, onde ao lado das mercearias (poucas), estavam expostos, pratos antigos e outras peças de louça, relógios de parede, figuras religiosas, e outras coisas antigas que de nada já serviam aos seus donos.
Ao aperceber uma sombra, olhei e na porta estreita em contraste com a luminosidade da rua, enquadrou-se a figura pequena e avantajada do dono do local, que me questionou sobre os motivos do meu interesse.
Seguiu-se um diálogo interessante, com o velho homem me explicando os motivos de ter transformado a sua loja, de mercearia em loja de antiguidades (ou quase).
Pois que morando numa pequena vila rodeada de aldeias e sendo muito conhecido, ao deslocar-se fazendo o seu comércio de frutas e mercearias, as pessoas idosas lhe pediam se vendia no seu estabelecimento da cidade grande, aquelas peças, heranças de dias melhores, a fim de juntarem alguns euros ao seu mísero pecúlio e pensões de reforma mínimas, e assim fazer face a despesas com a saúde e bem estar.
Assim, e perante o interesse manifestado pelos seus clientes, foi substituindo gradualmente o objecto do seu comércio, de mercearias para antiguidades, coexistindo ainda no local, os produtos agrícolas como frutas, vinho e azeite, a par de louças antigas e outros artigos de idade considerável.
Depois de agradecer e tirar algumas fotos, voltei para a luz da rua, prometendo divulgar e voltar em breve, quem sabe para escolher algum presente.
Mas a crise...os euros...sempre a minguar na carteira...ficou a recordação de um lugar diferente e da engenhosidade do homem para encontrar saídas para as dificuldades em tempo de vacas magras.
Em breve mais crónicas de uma cidade antiga de milénios, berço de glórias do passado e decadências no presente.
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