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Era o dia cinco de Dezembro de 1640, quando chegaram finalmente as notícias aguardadas pelo povo insatisfeito e revoltado, que eram o culminar de mais uma luta pela liberdade nesta cidade de gente trabalhadora, nobre e altiva, que não se curva a senhores.
O povo estava reunido em frente ao edifício dos Paços do Concelho, na praça nova junto á Igreja de Marvila, onde no seu adro, era costume terem lugar as feiras e mercados, desde os tempos da ocupação árabe da cidade, quando naquele lugar existia ainda a mesquita.
Então chegaram os mensageiros aguardados e o conde de Unhão, D. Fernão Teles de Menezes, deu a ordem para aclamarem como rei legítimo, D. João IV duque de Bragança, dando assim início á quarta dinastia e pondo fim ao domínio espanhol dos reis Filipes.
O papel de Santarém, nesta luta tinha tido início desde antes da ocupação espanhola, quando o tio do jovem rei D. Sebastião, desaparecido em África em sequência da derrota na batalha de Alcácer-Quibir sem descendência, D. António Prior do Crato, tinha sido aclamado rei na cidade, em sequência das cortes de Almeirim, em que Febo Moniz se destacou na defesa do prior como herdeiro legítimo ao trono.
Em consequência dessa acção, o rei espanhol acompanhado das suas tropas desembarcou na Ribeira de Santarém e travou-se luta sendo derrotado o exército do Prior do Crato, e assim se efectivou a perda da independência do reino.
Seguiu-se um período de injustiças mal suportadas pelo altivo povo de Santarém, que odiava o opressor espanhol e a quem eram retiradas regalias, assim como a todo o povo luso e ás suas colónias espalhadas pelo mundo, desde a Índia ao Brasil.
Foram vários os movimentos de revolta iniciados na cidade, com vista a depor o governo castelhano, sem sucesso, até ao ano de 1640, pois que o Duque de Bragança, trineto do rei D. Manuel e legítimo herdeiro dos reis de Portugal, hesitava em aceitar o trono, tendo apenas acabado por aceitar por pressões de sua esposa, D. Luísa de Gusmão.
Quando o futuro rei aceitou o encargo de servir a nação, os conjurados numa acção conjunta, dirigiram-se ao paço real em Lisboa e mataram o secretário da duquesa de Mântua, que era a regente espanhola em Portugal, e forçaram-na a afastar-se para deixar livre o trono ao legítimo rei português.
Era essa a notícia aguardada pelo povo português para aclamarem rei a D. João IV, facto que se encontra assinalado em lápide colocada na frontaria do antigo palácio dos Paços do Concelho, que foi depois, escola, e é actualmente sede dos Serviços de Águas da cidade e na praça em frente, continuam a realizar-se festas e reuniões.
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