|
|
Fala-se de liberdade e de projectos novos na cidade e a sua localização é no Campo Sá da Bandeira, nome de uma escola, de uma praça com a estátua desse ilustre filho da cidade, aqui nascido no final do século XVIII.
Nesses tempos sopravam já na Europa, ideias vindas de França, os célebres ideais de "Liberdade, Igualdade, Fraternidade!" que agitavam as consciências um pouco por todo o velho continente, cansadas de velhas ideias feudais e de poderes absolutistas dos monarcas.
Com efeito, era tempo de reformar conceitos e modernizar procedimentos, e com esse fim, foi promulgada pela primeira vez em 1822, uma constituição pela qual se deviam reger os reis no seu governo da nação.
No entanto, este facto iria desencadear lutas civis bastantes graves e complicadas que se prolongaram por algumas décadas, no país, até á sua completa aceitação.
É aqui que se distingue Bernardo de Sá Nogueira, o futuro marquês Sá da Bandeira, valoroso e corajoso militar que de cadete, chegou aos mais altos postos da hierarquia militar, e a ministro de várias pastas do governo.
Foi ferido várias vezes em combate, alguns perdeu, outros ganhou, foi companheiro e conselheiro de reis, amigo de outros heróis, ganhou o respeito da Europa e do mundo, mas um episódio doloroso e de aparente derrota, foi o que mais o engrandeceu ao olhos de todos.
Foi quando em sequência da derrota do exército liberal, no Porto, tiveram que retirar em condições humilhantes para a Galiza, e o valoroso militar, se encarregou da retaguarda, organizando as marchas, dando ânimo aos desmoralizados, acudindo ás necessidades mais prementes de todos.
Sempre pronto para a luta, e para dar a cara, sempre disponível com a sua espada, para defender a liberdade do seu povo, foi a ele que se deveu mais tarde a abolição da escravatura em terras portuguesas.
Depois de ganhas as lutas pela espada, seguiram-se as lutas políticas, com vista a reorganizar Portugal com vista á modernidade, e também aí se distinguiu como um notável estadista, hábil negociador e reformador, foi realmente um dos pais do moderno Portugal, como hoje o conhecemos.
Também com a pena foi hábil, tendo publicado alguns livros em especial sobre administração e política, e em jornais da época, fazia defesa dos seus ideias, e publicava as cartas que trocava com os seus pares europeus, sobre os assuntos da actualidade para fazer vingar as suas ideias de liberdade.
É pois este um dos filhos mais notáveis da minha cidade, um dos modernos heróis, digno sucessor dos antepassados mais longínquos desta cidade, berço de lutadores da liberdade.
|
|