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Lamentavelmente, todas as atividades públicas e sociais deste país encontram-se totalmente desgastadas, tanto no âmbito nacional, estadual ou municipal
Lendo, hoje as manchetes dos jornais, deparei-me com o protesto de entidades como a UNE, MST e CUT totalmente sem expressão, forçado. Percebe-se que não há calor e garra nas atitudes como acontece a qualquer atividade feita por obrigação. Que diferença das manifestações às quais acompanhei contra a Ditadura ou “dos caras pintadas” do “fora Color”! Naquela época lutava-se pelo direito dos oprimidos, mas ninguém era pago para isso. Soltava-se o grito preso à garganta o que dava legitimidade estudantil de lutar por dias melhores. Não havia o dinheiro determinando as atitudes dos jovens da minha geração. Queríamos boas escolas, moradias, alimento na mesa dos pobres. Hoje, lamentavelmente, percebo que a luta não valeu a pena. As escolas da minha geração superavam, de longe, as de hoje. Saíamos do Ensino Primário sabendo conteúdos que, hoje, nossos alunos não assimilam no Ensino Médio. O quê mudou? Foram as estruturas, as escolas, os profissionais ou os alunos?
Quando poderíamos imaginar que os objetivos das entidades públicas e sociais chegariam a esse ponto! Os políticos passaram de pedra a vidraça. De defensores da ética e da moral a coadjuvante da corrupção. Embolsam verbas destinadas à educação, saúde e segurança o tripé básico para o exercício da cidadania de ricos e pobres. As verbas destinadas a projetos de desenvolvimento sociais, educacionais, de segurança e rurais, tão necessários ao desenvolvimento do país, patrocinam megaeventos promocionais de partidos e do governo. Quantas escolas deixam de ser construídas para que nossas crianças se prepararem para o futuro! Quantas profissões deixam de ser ensinadas para que cada um seja responsável pelo seu próprio sustento e de seus familiares! Quantas fábricas, cooperativas, oficinas, comércios e outras atividades deixam de ser criados para dar empregos aos jovens preparados nas escolas e oficinas! Não por falta de recursos, pois os vemos migrarem das repartições públicas para os bolsos de nossos políticos em generosas somas, tão altas que os nossos carentes nem imaginam o quanto valem.
Como imaginar o que se pode comprar com os quatro milhões que o Sr. Jefferson recebeu e achou pouco? Ou os dez milhões depositados na conta do Sr. Duda Mendonça, como parte de uma soma muito maior? Ou os cinqüenta e cinco milhões emprestados ao PT, com garantia das verbas públicas?
O grande número de famílias que recebem uma cesta básica no valor de cinqüenta reais e ficam reféns de quem os distribuiu. Vejam bem, apenas distribuiu, pois esse dinheiro saiu do bolso de todos nós brasileiros que pagamos nossos impostos. Só por isso, em contrapartida, têm de ir às ruas apoiar os destruidores de suas perspectivas de trabalho e dignidade. Os órgãos públicos e sociais que os deveriam defender, não lhes dando esmolas, mas garantindo-lhes educação, segurança e trabalho, estão todos de alguma maneira atrelados às benesses do dinheiro, através de liberação de verbas para lhes desviar o sentimento de reivindicação. As grandes somas exigidas por alguns políticos equivalem às pequenas doações para aquietar a UNE e o patrocínio do MST e da CUT.
O que comanda as atividades públicas, educacionais e sociais, hoje, é a grana distribuída de acordo com o preço de cada um para apoiar as atividades de quem está no comando.
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