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Ah! Tanto prazer!
Quando recordo aqueles tempos de menino
Quando era pequenino
Como um pepino
Acabado de nascer.
Oh! Minha terra!
Minha aldeia tão sozinha!
Tão pequenina aí plantada a meio da montanha
De grandeza tamanha!
Nas tuas ruas brincava
O pião atirando ao chão
Empurrando o arco de latão
Corria, corria parecia que fugia.
À hora da sesta pegava na minha trotineta
Para mim era a minha inexistente bicicleta.
Subia ao cimo da serra e procurava
Dentro duma escura mina, uma gruta
Ou no interior duma giesta.
Procurava sem descansar
Até encontrar
Um ninho.
Um ninho de passarinho.
Os ovos ajeitava, admirava
Os passarinhos acarinhava.
Alguns trazia para casa.
Não por mal mas por carinhos
Pois gostava dos passarinhos.
E em casa então
Com eles na mão
Os afagava devagar, devagarinho.
Ah! Ah! Não era só brincar
Também tinha que trabalhar
Para os meus pais ajudar.
Puxado pela rabiça da charrua
Companheira habitual
Desse belo animal
Que era a minha burra a carriça
Enquanto a relha a terra rasgava
De frente ou de esguelha
Eu pensava sonhava
E com os meus botões falava...
Ah! Carriça! Carriça!
Mais logo no lombo te monto!
Corremos, corremos, quer queiras quer não
Vais ver, vou ser...,
O D. Quixote de La Mancha
O pequenote barrigudo
Sancho Pança o pançudo
Zorro o valentão
Ou somente então
Eu o piloto, tu o meu brilhante avião.
Ó menino do computador
Da cidade, dos jogos de guerra computorizados
De guerra artificial
(Para que possas comparar com a real)
Vê como de chofre sem escrúpulos os crápulas
Como autênticos dráculas
A sugar sangue
Te turvam a mente
E precocemente fazem de ti cavalo de batalha
Rambo lutador
Mas roubam – te esta meninice que eu vivi com ardor.
Para ti menino do computador
Este recado deixo com amor :
___Não brincas
Aos feijões
Berlindes, arcos ou piões
Mas brincas
Aos canhões!
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