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Célia Jardim

   

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Deserto Na Alma
© Célia Jardim

     

 

Pobre de mim que a tanto me neguei
lágrimas sempre me ofertando a dor
parti de mim sem um rumo certo, naveguei
em busca de tudo ou nada, talvez amor
foram tantos mares, dias de frio e calor
tentando vencer as quedas, o dissabor

Segui, mesmo sem forças, cortando atalho
mente sangrando lembranças de outrora
dias e noites andarilho entre sol e orvalho
maior que a dor era o desejo de ir embora
não sentir tudo que sentia naquela hora
amarga solidão que assusta, apavora, devora

Corpo cansado, alma morta, quase desisti
a minha frente tela de fantasmas a me assombrar
voltei para dentro de mim, relutei, sacudi, resisti
encontrei em algum canto ainda a desbravar
toda coragem que não encontrei em outro lugar
renasci das cinzas, fênix sou, voltei e vou ficar!

    

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