Poema de Celso Brasil

 Desequilíbrio do Verso


Me irrita
Quando tu gritas
Quando tu imploras
E ainda choras
 
Pede-me o favor
De estudar o que é amor
Vejo que até meu verso
Do que falas é o inverso
 
Minha cabeça se atrapalha
Meu verso se embaralha
Somos dois e não um só
Um é nabo outro é jiló
 
Quero ir para a estrada
Não entendo é mais nada
Jogo tudo numa mala
Já não sei como calá-la
 
Tu me desequilibras
Já não sei de minha vida
Veja só que heresia
O que fiz com minha poesia
 
Não encontro mais a rima
Que deixei ali em cima
Não consigo achar o ponto
Não é prosa nem é conto
 
Não devo nem ir embora
Vou mudar tudo agora
Assim não dá para ficar
Isto aqui não é mais lar
 
Entre nós há um grande rio
O equilíbrio já sumiu
Já não temos ligação
Tudo é pura confusão
 
Tu não gostas nem desgostas
Tu estás na margem oposta
Nossa ponte se partiu
Vá!... Para a casa de quem te pariu!




Celso Brasil

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