Poema de Celso Brasil

 Faces da Noite


É noite... escura até que a aclarem...
A lua volita em sua madrugada
Imagens em minha mente descabem
Enquanto é raio de luz apagada.
 
O homem usando a mulher que o usa
Colados tornam-se num grande nó
Hoje unificados nesta volúpia difusa
Amanhã cada um tornará a ser só.
 
Desejos em coro formam uma só voz
Neste calor mergulha um coração displicente
E um peito entrega-se ao amor algoz
E condenam a magia da lua sumariamente.
 
Boêmios cantam, e bebem, e abraçam
A ilusão de que a amizade ali existe
Embriagando conceitos embaraçam
Sonhos antigos e a dor que insiste.
 
Aos maus os inermes se entregam
Cães ladram e quebram a calada
O que o trabalho e suor conquistaram
É arrebatado... súplica ignorada...
 
Um louco de amor uma louca procura
Talvez culpa da lua de luzes impotentes
A louca quase nua pela via escura
Não é enxergada...  permanecem carentes.
 
Um nasce enquanto o dia se dorme
Bocas em risos celebram o ocorrido
Um outro parte nos braços da morte
Deixa na noite um som choro-gemido.
 
Crianças dormem em suas inocências
Com toda pureza porque crianças são
Doces invenções do PAI, conseqüências
De tesões passageiros ou amores então.
 
No breu, paixões constróem castelos
E amores disformes por si desconcebem
Na noite limpa de sonhos tão belos ou...
Na noite suja dos que se empobrecem...
 
Nessa galeria de loucas veras hipóteses
Demente é a vida e a mente não é sã.
Mas tudo acaba com o sol, todas as vezes
Descortinando-se em forma de manhã.





Celso Brasil

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