Poema de Celso Brasil

Rituais da manhã
© Celso Brasil - voz do autor


Teu corpo repousa incólume...
O astro-rei surge com seus rituais...
A atmosfera aumenta o volume
Das sensações e sonhos carnais.
 
Os Bem-te-vi iniciam um lindo coro.
Natureza anuncia o novo dia.
Suavemente te despes do decoro,
Inspiras os pássaros à cantoria.
 
No jardim perfumado, passeia
Sedento e vibrante o beija-flor.
Em seu par, toca e permea
No mais puro ato de amor.
 
Num artístico vôo... extasiado,
Degusta o néctar e mais além...
Cópula... Momento inusitado,
Delicado e... pulsante, vai-e-vem
 
Polinizam-se mutuamente
E na magia do movimento
Ele deixa no fundo a semente
Da vida... casto momento.
 
Tu mostras um brando sorriso,
Teu corpo leve de lado se prostra,
Mergulhas num sono preciso,
Descansando tuas formas à mostra.
 
Falo à paixão saciada:
Realizaste teu ardente desejo.
Oh! dia de imensa beleza...
Quão sublime é este ensejo!
 
Finda-se o ritual e permaneço
No cabal despudor inebriado.
A seqüência do dia, esqueço
Repousando em teu corpo, colado.

 
Celso Brasil

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