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A noite se faz tarde e silenciosa.
A angústia martiriza minh’alma.
Leio de tudo... verso e prosa,
Até o relógio demonstra calma.
O tempo recusa-se ao tempo.
Não passa, nem me deixa passar.
Penso em ti a todo momento,
O sono se recusa a me abraçar.
Pensamentos correm à cabeça,
Não encontram onde parar.
Talvez, a angustia eu mereça,
Por meu amor não te declarar.
Onde estará esta coragem?
Onde estará minha decisão?
Não lhe falar... sei... é bobagem.
E à oportunidade digo não?
Medo de ouvir, talvez, a verdade...
Mas... e se a verdade for um sim?
Quero entregar-me à sagacidade...
Quero você todinha p’ra mim.
Então, teu corpo nu tomarei...
Direi loucuras a teu ouvido...
E, com volúpia, então, deixarei
Tua pele molhada... fim da libido.
Neste ritual, permanecerei
Beijando-te com muita calma
Do sul ao norte sem lhe poupar.
Minha serás de corpo e alma.
E, na impetuosidade de teus desejos,
Deixarás, novamente eu te possuir.
Aumentarás o calor de teus beijos...
Repetiremos... um grande fluir.
Ao fim, dois corpos, ali jogados,
Tão saciados, que não se movem.
Dir-te-ei versos de olhos calados,
Juras... aquelas que nunca morrem.
Será assim nosso amanhã?
Ou sonho sonhos reversos?
Enquanto isso, minha noite é vã.
E continuo... com prosas e versos.
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