Poema de Celso Brasil

Tua ausência
© Celso Brasil - Declamado pelo autor


Tua ausência deitou-se comigo
Nesta noite de ares enfadonhos.
Tocou minh’alma. Toque incisivo...
Penetrando... tocou meus sonhos.
 
Tua ausência abraçou todo meu ser,
Senti aquela que não mais existe.
Despertou-me friamente ao amanhecer,
Mostrando-me um quarto vazio e triste.
 
Tua ausência caminhou pela sala...
Encarnou-se em teu belo retrato
No quadro sombrio que deixaras
Na angustiosa saudade emoldurado.
 
Tua ausência plantou-se no jardim,
Cravando raízes profundamente...
Crescendo ao lado dos jasmins,
Espalhando mais tuas sementes.
 
Tua ausência pôs música no ar,
Antigos sons que te recordam.
Lágrimas dos olhos a jorrar...
Tempos belos que não retornam.
 
Tua ausência enfim, presente se fez.
Por todo tempo comigo ficou.
Triste verbo bardo para sempre, talvez...
Neste poeta se incorporou.



Celso Brasil

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