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O beija-flor batia suas lindas asas rapidamente . Jocoso provava o sabor de uma romã
graciosa e alegre por estar naquele lindo pomar, onde árvores frutíferas tilintavam seus frutos : romãzeiras, laranjeiras, macieiras, goiabeiras, jabuticabeiras, mangueiras e tantas eiras com beiras, que não couberam no meu sonho. De chofre, o sonho se dissipou. Acordei contrariada, mas com uma certeza: tenho medo das belezas de minha vida. Prefiro conviver com as feias lembranças do passado, ante correr o risco de levar uma rasteira do inexorável amanhã. No lugar do beija-flor coloco a horrorosa boneca de plástico que ganhei aos seis anos, ou a melissinha vermelha que deixava meus pés com odor insuportável .Lembranças que já não fazem sentido.
Estou daqui a olhar minha casa confortável: meus queridos dormindo sossegados; os livros na estante – quantas pessoas nesse país tem uma estante como a minha? Coincidência ou não “Humano demasiado humano” procura meus olhos, lembra-me
que meu degelo deságua no nada. Tenho medo de afogar-me e perder tudo que conquistei...
E assim, todos os dias jogo fora a beleza, a delicadeza, a alegria de ser Cláudia .
Até meu carro levo para lavar a cada vinte dias! Como excelente motorista, não teria porque enconstá-lo na parede da garagem três vezes. Pensamentos fúteis vivem exaurindo minha mente, assim fujo das verdadeiras dores de ser humana. Desvio a atenção...
“Humano demasiado humano” desvendou o sonho. Não tenho escolha: descaminharei minha alma, perderei o medo e o controle, assim desfrutarei do pomar e prazerosamente olharei o beija-flor com suas asas ligeiras...ligeiras como a vida.
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