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Entre dez e onze horas da noite,
entrego-me ao frescor da brisa
que acaricia a face moldurada
pela janela de meu quarto.
Face de mim apaixonada pelo
éter que me toma, dança com meu corpo...
Faz amor comigo!
Sinto-me dentro de mim,
sem interferências.
Sob minha janela, casinhas
despretensiosas, caladinhas,
enfeites delicados que combinam
perfeitamente com o cenário que, para outrem,
seria prosaico.
Meu corpo levita, sou borboleta da noite...
A fragrância da brisa leva-me até a mais
alta montanha, até a lua, até a rua de baixo!
Quando chove ou faz frio, a brisa sensual
disfarça-se com roupas e chapéus,
mas mantém o aroma
que me causa deliciosos arrepios.
Esta brisa me seduz
e me faz desejar o absurdo:
ser feliz para sempre!
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