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Não sei como começar,
mas preciso encontrar
um jeito de dividir,
contar sobre esse descobrir.
Há dias estou tomada por ele,
adormecido sobre o criado-mudo
espera-me todas as noites
para tomar conta de tudo,
tirar-me do meu mundo,
confundir minha mente,
embaralhar minha compreensão,
tirar minha emoção latente,
encurtar minha respiração,
obscurecer minha luz,
transformar minha vida em
oxímoros e minhas certezas em cacos.
Borges tem sido deus, herói,
filósofo, demônio, mundo, tudo
e não tem sido nada...
Não o compreendo,
mas compreendo
tudo que não sei.
Será mesmo um bruxo
esse tal de Jorge Luis Borges?
Ontem resolvi tomar minha
vida de volta:
Entrei pela porta da livraria
e lá estava ela
com sua beleza furiosa,
repleta de arte,
encantadora e encantante,
Elisa Lucinda linda!
Estonteantemente linda
e forte...
Está agora sobre Borges
com sua poesia branda,
devolveu meu rumo, meu prumo.
Ajudou-me a organizar o espanto,
devolveu-me o movimento,
o discernimento...a doçura.
Elisa Lucinda, não é gente
é poesia...
Borges virou poema
e hoje me disse “bom dia!”.
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