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Clara era uma criança de olhar vazio. Passava horas sentada na praia, olhando o mar, ninguém sabia porque ficara ali Clara.
Sempre tão só, parecia que nada mais existia para além da imensidão daquele manto azul.
Chamavam-lhe, a menina do mar, seu corpo era frágil, como um cântaro de água, podia quebrar-se a qualquer momento.
Era absorta, pálida, dolente, escondia-se do mundo...dentro das suas próprias palavras. Só o mar sabia ouvi-la, era seu confidente.
Não sorria, não galhofava, tinha um olhar de luto, um negro cerrado, algo a distinguia entre a impetuosidade e a alacridade.
Seguia sempre o caminho que afastava de tudo para não ter que se cruzar com a temperança. Todos os caminhos eram bem-vindos, para a fazerem esquecer que ainda era uma criança.
Ela voltava sempre ao mesmo sítio, era lá que se sentia em casa. Areia fina cruzava-se entre o dedos fazendo-a sentir a sensatez do poder infinito, que carregava nas suas mãos delicadas. O cheiro a maresia perfumava-lhe os sentidos com a musicalidade que o oceano soltava em pautas de liberdade.
Clara era uma criança tão bela como tantas outras. Apenas era invisual e por assim ser, rejeitava a piedade da visão prematura dos que não são cegos, mas nada conseguem ver...
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