Poema de Conceição Di Castro

Imagens-imaginadas

  
Tua língua percebe minha cosmologia,
Fazendo-me travessa em teu campo de batalha.
És o guerreiro que luta contra a agonia
De um viver-lua dentro de uma talha.

Tuas mãos esparramam pela minha cosmografia,
Deixando-me nua perante teus sóis brilhantes.
És o historiador que faz germinar a excitante grafia
No imaginário sonhador dos amantes.

Tua boca sedenta de desejo discorre sobre minha cosmologia,
Entrevendo o fruir das cascatas de minh’alma.
És o provedor da pele-gota pronta para a genealogia
Inquietante sem esperar as cristalinas águas calmas.

Língua, mãos, boca de uma luz trespassada
Por um sonho-delírio, revivendo dias alucinantes.
Tu me refazes na mulher inspirada
Em que a paixão consumia de desejos triunfantes.

Contigo a aurora sublime de meu ser
Vive, deseja e quer o momento de loucura,
Mesmo que seja nuvens colossais de não ver
A realidade enfadonha de uma terra-tortura.

Não quero domar este desejo incongruente
Dos amantes que seguem o choro do amor
Nas incalmas veias suplicantes e pendentes
Em busca de um bailado de corrente.

És o cravo incrustado em minha terra-mãe,
Onde sinto a quimera de ser acuada.
Meu leito fica a lutar penosamente numa guerra,
Numa batalha infinda de lua cravada.
           

Conceição Di Castro
©
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