Soneto de Conceição Di Castro

Mãos


Mãos poderosas de amor e afago,
Mãos caridosas de luz e ternura,
Mãos abertas para acalmar o lago,
Onde a revolta permanece escura.

Mãos dilacerantes do hirto bago,
Cuja ação é o remédio da cura.
Mãos cheias para preencher o vago
Deixado pela ausência da doçura.

Mãos calejadas pelos espinhos
Encontrados no destino surrado,
Plantado ao longo dos vários caminhos.

Mãos sofredoras por gesto calado
Envolvendo os homens em desalinho,
Que promovem o fato desvairado.
           

Conceição Di Castro
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