Poema de Conceição Di Castro

Meu viver luminoso das trevas

 
Nas madrugadas do meu eu,
Tu és meu Dirceu.
Nas profundezas do meu Ser,
Tu és Baco, minha embriaguês profana. 
Somente Dirceu faz renascer a MUSA
Descrita na sacralidade do romantismo.
Mas o lado noturno do meu viver revela o vulcão,
Explodindo o profano das mulheres-amantes.

Não sei se Apolo, com seu equilíbrio,
Vencerá a guerra entre esses dois lados.
Neste mundo materialista, o profano conduz,
Embora Marília, contida em Dirceu,
Tenta fazer seus dias apolíneos.

Nessa luta insana entre Apolo e Baco,
Marília ajuda Dirceu contra Páris,
Procurando o sagrado do amor puro e terno.
Porém Dionísio desperta o furor da paixão,
Colocando-me em frenesi.

Nessa mistura de épocas,
Trago dentro de minha alma
Lados díspares acirrados.
Quero deixar a paixão arrebatada sair,
Mas meu ser aparente camufla,
Deixando apenas o sagrado despontar.

Sou sagrada enquanto diurna;
Sou profana enquanto noturna.
São partes, fazendo-me inteira.
Amando recatadamente...
Amando ardentemente...
         

Conceição Di Castro
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