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Recuo no tempo...
A fantasia de pirata se ajusta
com saudades ao meu corpo.
Feliz, abraçado a uma linda
cigana que o salão encanta...
Nossos corpos, seminus, se
abraçam...
O suor desce pelo calor dos
nossos corpos. Sem pressa.
O doce inalar do lança-perfume
acomoda-se em nossas almas.
O salão se reveste de novas cores.
Novos sonhos, delírios...
Pelo olhar apaixonado, nossos
lábios se atraem e, sem pudor,
se beijam. Duas almas se unem
na exaltação frenética à loucura...
Vejo, no limite dos sentidos, rostos
caricatos marcados pelo prazer.
Bocas articulando sons vazios que, na
fuga dos sentidos, deixam-se ficar pelo
espaço esquecidos...
Sinto agora nos meus lábios o sabor
de outros lábios. O sensual roçar de
novos corpos fantasiados de pecado.
De repente, amanhece...
Uma voz melancólica anuncia:
- Quarta-feira de Cinzas!
Exausto, retiro a fantasia...
Procuro, na solidão, o sentido
primário escondido na ilusão...
Onde andará minha cigana?
E os lábios ardentes que beijei...
Triste, na desfigurada manhã,
entendo que apenas restaram
em mim retalhos dos meus
alucinados sonhos...
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