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Pobre boneco de pano!
Desfigurado, mal trajado
e solitário no meio das
plantações...
Transformaram tua alma
em palha...
...a espantar aves predadoras,
condenou-te o destino!
E tu, submisso, calado, sem a
humana revolta, curvou-se.
Resignado, observas estrelas,
te ocultas nas vestes pesadas
da noite e renasces nos raios
indiferentes do novo dia.
Junto com a chuva, choras o
insignificante viver...
E lá ficas tu a olhar o infinito,
enquanto a natureza festeja ao
teu redor o esplendor da vida.
Triste contraste...
No soprar do vento teu corpo ganha
movimento. Teus braços acenam, o
peito se rompe e expõe, por fim, teu
sofrido coração...
Os traços do teu rosto vão aos poucos
se humanizando, redesenhando marcas
profundas e entristecidas...
A vida se cala, o vento perde o vigor,
finalmente nosso olhar se encontra.
E perplexo te descubro em mim...
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