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Domingos Alicata

   

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Espantalho
© Domingos Alicata

     

 

Pobre boneco de pano!
Desfigurado, mal trajado
e solitário no meio das
plantações...

Transformaram tua alma
em palha...

...a espantar aves predadoras,
condenou-te o destino! 
E tu, submisso, calado, sem a
humana revolta, curvou-se.

Resignado, observas estrelas,
te ocultas nas vestes pesadas
da noite e renasces nos raios
indiferentes do novo dia.

Junto com a chuva, choras o
insignificante viver...

E lá ficas tu a olhar o infinito,
enquanto a natureza festeja ao
teu redor o esplendor da vida.

Triste contraste...

No soprar do vento teu corpo ganha
movimento. Teus braços acenam, o
peito se rompe e expõe, por fim, teu
sofrido coração...

Os traços do teu rosto vão aos poucos
se humanizando, redesenhando marcas
profundas e entristecidas... 

A vida se cala, o vento perde o vigor, 
finalmente nosso olhar se encontra.

E perplexo te descubro em mim... 

    

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