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Domingos Alicata

   

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Guardião da Noite
© Domingos Alicata

     

 

Eu sou o guardião da noite...

Dos edifícios apagados,
dos sorrisos adormecidos,
das ilusões desfalecidas...

Restos de vida passam,
levados, pelos passos 
cansados das prostitutas 
que se vão...

Na gargalhada que escapa,
da boca amargurada.

Nos passos inseguros que 
esquecem de recolher 
o eco vazio que deixam 
ao passar...

Solitários, abandonados...

Tristes percorrem as 
pecaminosas esquinas 
da vida...

... e na luz enfraquecida da
solidão, desaparecem.

Apago então as estrelas.
Recolho as últimas cores 
da noite.
Dobro minhas tristezas
e as escondo... 

Deixo apenas a ilusão
das ondas que acreditam,
vaidosas, serem delas
o último olhar da Lua... 

Lentamente me oculto
do novo dia que chega... 

Com novas cores, 
novos sonhos,
efêmeros amores... 

    

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