|
|
Meus versos, Amada, me acompanharam
sempre em cada emoção vivida. Sem rima
nem métrica, independentes, percorreram
os caminhos insensatos das almas apaixonadas.
Inseguros e puros, marcaram o mágico momento
da primeira manifestação de amor, disfarçados
em tímidos sorrisos infantis.
Amantes e sensuais, percorreram os corpos
nus das mulheres amadas, disfarçados em
ternura.
Ébrios, me acompanharam nas madrugadas
boêmias onde, juntos, ríamos tentando nos
apoiar nos lábios trêmulos dos prazeres da
vida...
Solitários, nos consolamos nas noites profundas
dos mares distantes, quase perdidos. E recitamos,
a uma só voz, o canto das sereias, em busca
do encantado amor.
Hoje, Amada, meus versos continuam jovens e imperfeitos, mas eu, resignado, busco todas as
rimas para viver, que não seja morrer...
Fiquem, se possível, meus doces versos,
eternamente presentes...
... Nos lábios delicados do prazer.
... Na desventura dos amantes.
... Na tristeza dos solitários.
... Na fantasia da vida...
E, se um dia tiverem também de morrer, que seja nos braços serenos de uma simples poesia...
|
|