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Domingos Alicata

   

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Noites de Cristais
© Domingos Alicata

     

 

Hoje a noite chegou solitária.
Não trouxe a Lua. Somente a natural
saudade do passado chegou. Em vão
aguardei pelas estrelas...
Vaguei pelas esquinas vazias, pelos
bares estranhamente silentes...

Onde andavam as ébrias risadas? 
O bater alegre dos copos?
O olhar triste das prostitutas?
Por onde andava a vida, que a noite
a ela se curvava, sempre, com doce 
e indisfarçável prazer?

Lucidez inebriante dos filosóficos ditados 
que se equilibravam em lábios bêbados, 
entreabertos, para que deixassem escapar, 
felizes, o sorriso sincero. Onde encontrá-la?

Somente encontrei mendigos maltrapilhos, 
refugiados na irrealidade dos seus sonhos...
Pobres escravos da tristeza e do abandono, 
que, iludidos, esperam pelo milagre quase
impossível do amor.

Minha Copacabana das Noites de Cristais,
por onde andas? Meus doces personagens e
amigos criados na espontaneidade sincera
da madrugada, onde se esconderam? 

E eu? Onde estou agora? 

Sinto que minha alma por instantes me deixou. 
Angustiado meu corpo se contorce em busca da 
sua essência. Será que procura almas do meu
passado? 

Que traga a do meu verdadeiro amor para que
eu possa, ao menos, reviver a minha triste e 
profunda dor...  

    

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