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Hoje a noite chegou solitária.
Não trouxe a Lua. Somente a natural
saudade do passado chegou. Em vão
aguardei pelas estrelas...
Vaguei pelas esquinas vazias, pelos
bares estranhamente silentes...
Onde andavam as ébrias risadas?
O bater alegre dos copos?
O olhar triste das prostitutas?
Por onde andava a vida, que a noite
a ela se curvava, sempre, com doce
e indisfarçável prazer?
Lucidez inebriante dos filosóficos ditados
que se equilibravam em lábios bêbados,
entreabertos, para que deixassem escapar,
felizes, o sorriso sincero. Onde encontrá-la?
Somente encontrei mendigos maltrapilhos,
refugiados na irrealidade dos seus sonhos...
Pobres escravos da tristeza e do abandono,
que, iludidos, esperam pelo milagre quase
impossível do amor.
Minha Copacabana das Noites de Cristais,
por onde andas? Meus doces personagens e
amigos criados na espontaneidade sincera
da madrugada, onde se esconderam?
E eu? Onde estou agora?
Sinto que minha alma por instantes me deixou.
Angustiado meu corpo se contorce em busca da
sua essência. Será que procura almas do meu
passado?
Que traga a do meu verdadeiro amor para que
eu possa, ao menos, reviver a minha triste e
profunda dor...
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