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Domingos Alicata

   

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Poema Maior
© Domingos Alicata

     

 

É tarde...

Cansada tu adormeces em meus braços. 
Imóvel me deixo envolver pelas ondas dos 
teus cabelos cuidando para que as batidas 
profundas do meu coração não atrapalhem 
o teu angelical dormir.

Junto com a madrugada, furtivo, retorno a
uma época em que os anos não nos pesavam
tanto, nem as angústias da vida conseguiam
reprimir nossos sonhos mais ousados.

Músicas marcantes, momentos inesquecíveis
e antigos versos de amor atravessam as portas 
entreabertas da minha alma e, também, se 
aconchegam na ternura do nosso leito.

Com cuidado, afago teus cabelos ligeiramente
grisalhos e, como criança, imagino teus lábios
balbuciarem velhas cantigas de ninar...
Instintivamente tu te envolves em meus
braços, já não tão rígidos, e esboças um sorriso.

A nossa respiração agora se confunde e não 
resisto ao puro desejo de acariciar teu rosto...

Pequenas rugas delineadas em nossas faces
tentam denunciar a idade do nosso amor sem
se aperceberem que a eternidade, no amor,
não se calcula, simplesmente se vive.

Leio em teus pensamentos o desejo antigo
de que te dedicasse um poema e, baixinho,
sussurro ao teu ouvido:
- Tu és o maior poema da minha vida...

Com ternura, cubro o teu corpo cansado,
beijo teus lábios e adormeço... 

    

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