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Domingos Alicata

   

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Velho Navio
© Domingos Alicata

     

 

Velho navio, enferrujado e açoitado pelas intempéries 
dos oceanos. 

Cúmplices, dividimos apreensões, alegrias e tristezas 
na esperança de, juntos, superarmos com nobreza
desafios jamais imaginados.

Inspiração de um amor estranho e incompreensível aos que não se aventuram pelos mares bravios, consigo sentir o pulsar da tua alma, mesmo nos momentos de calmaria.

Coração ritmado pelas inconstâncias do mar, alternas suaves cânticos das noites estreladas com fortes e sofridos lamentos dos dias de tempestades.

Diminuto ponto que pulsa a vagar pela imensidão do mar...

Longe do fausto luxo dos transatlânticos, no suave brilho da luz dos crepúsculos, pensativo e solitário, busco as doces ondas de amor que afoguem tão incontornável vazio.

Casco enferrujado e fustigado pelo vento cruel e constante do mar já sente, resignado, o inevitável canto do adeus. 

Enciumado me observas, amarrado ao cais, retornar das longas noites de prazer marcadas por perfumes misteriosos e juras de amor eterno... 

... Sempre renovadas na envolvente penumbra dos bordéis, mas logo esquecidas na simples confirmação da partida...

Triste adeus quando, subjugados aos desígnios do acaso, forças do destino nos induzem à separação.
Pelo longo e sufocante apito, o derradeiro lamento é envolvido por contrita emoção que percorre minha dividida alma.

Mudo, do cais observo, já saudoso, a tua lenta partida. Antigos sentimentos tentam inutilmente segui-lo, mas a linha do horizonte se fecha num sofrido adeus... 

    

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