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Tenho duas almas...
Uma submissa à materialidade
da vida. Racional, palpável, até
diria, tristemente humana...
Outra poética, sonhadora...
Capaz de se comover com a infantil
perda de uma ilusão, de um amor, e
que sobrevive em cada poema que faço...
... e cresce na pureza das reflexões que
nascem na melancolia da madrugada...
E, nesta estranha dualidade das almas,
restou apenas uma certeza:
- Morro, a cada dia, na minha humana alma
e viverei, para sempre, com a alma de poeta...
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