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Ah! Os antigos relógios!
Como eram nobres em suas formas
primitivas de o tempo marcar...
Ora tiquetaqueando, ora badalando,
seguia ele, solene, a me alertar de que
aquela hora não voltaria jamais...
No entanto, eu nem ligava...
Menino ainda, imaginava o tempo apenas
uma invenção dos adultos ser. E filosofava:
- O tempo é um mero escravo do meu desejo...
Quanta saudade daquele distante marcar!
Que fim levou o meu velho Cuco? Cantante
companheiro das madrugadas de estudos!
Hoje, digitais relógios multiplicam-se pela
casa, espalhando os coloridos lamentos do
tempo que morre...
Na escuridão do quarto, na madrugada,
o tempo sarcasticamente diz baixinho:
- Acabamos de morrer um pouco!
Sacana! Respondo com sonolento desprezo.
- Tens infinitos segundos a morrer e eu,
apenas um - em incerto dia...
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