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Domingos Alicata

   

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RELÓGIOS.
© Domingos Alicata

     

 

Ah! Os antigos relógios!
Como eram nobres em suas formas
primitivas de o tempo marcar... 

Ora tiquetaqueando, ora badalando, 
seguia ele, solene, a me alertar de que 
aquela hora não voltaria jamais... 

No entanto, eu nem ligava...

Menino ainda, imaginava o tempo apenas 
uma invenção dos adultos ser. E filosofava:
- O tempo é um mero escravo do meu desejo...

Quanta saudade daquele distante marcar!
Que fim levou o meu velho Cuco? Cantante
companheiro das madrugadas de estudos!

Hoje, digitais relógios multiplicam-se pela 
casa, espalhando os coloridos lamentos do 
tempo que morre... 

Na escuridão do quarto, na madrugada,
o tempo sarcasticamente diz baixinho:
- Acabamos de morrer um pouco!

Sacana! Respondo com sonolento desprezo.
- Tens infinitos segundos a morrer e eu,
apenas um - em incerto dia...

    

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