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Há quantos anos nos olhamos...
Tu, em inquisitivo silêncio, eu
no diário exercício do analisar
minhas sofridas mutações...
Acariciar pequenas rugas, esboçar
sorrisos caricatos, vazios. Reviver
o olhar esquecido no brilho natural
da juventude...
No deslizar suave da lâmina, fica a
saudade do primeiro barbear.
Vaidosa confirmação do homem
que começa no menino brotar ...
Já és um homem! Brincavam os pais...
Já estás velho! Brincam, agora, os filhos!
O que sou, afinal?
... E entre duas maneiras de brincar, sinto
que se passou uma vida...
Intuitivamente, retorno ao espelho e,
como em criança, com um quente soprar,
deixo-o embaçado. Emocionado, com o
dedo nele desenho, lentamente, um coração...
Como fazia ao pensar nos meus inocentes e
infantis amores...
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