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Domingos Alicata

   

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POEMA VAZIO
© Domingos Alicata

     

 

Triângulo quase perfeito... 
Vértices distantes se abraçam no 
infinito dos versos.

Três almas se refugiam na infidelidade
do poema.

Ecos de triste passado, chegam juntos
com a chuvosa tarde. Sinto que minha 
dor nela se recosta para melhor suportar
o vazio...

No escuro cinza de uma primavera que 
deveria vestir-se de cor, o precipitar nervoso 
das águas sufoca restos de ilusões que ainda
insistiam em brincar de viver. 

Meus dedos pensativos buscam teclas que 
possam exprimir a perfeição do sentimento 
vivido.

Por tantas solidões iguais passei, por quê 
esta insiste em tão diferente ser ? 

Sinto no traço apagado do momento que o meu
vértice se desfaz... 

Abandonado, vago pelo espaço preso apenas 
à certeza do desamor. Busco então refúgio em 
qualquer verso que recrie o que restou de mim...

Qualquer verso...

Mesmo você Solidão, por favor, não me abandone 
nesta escura tarde. Fique comigo e lhe dedicarei, 
com carinho, este triste poema vazio... 

    

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