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Triângulo quase perfeito...
Vértices distantes se abraçam no
infinito dos versos.
Três almas se refugiam na infidelidade
do poema.
Ecos de triste passado, chegam juntos
com a chuvosa tarde. Sinto que minha
dor nela se recosta para melhor suportar
o vazio...
No escuro cinza de uma primavera que
deveria vestir-se de cor, o precipitar nervoso
das águas sufoca restos de ilusões que ainda
insistiam em brincar de viver.
Meus dedos pensativos buscam teclas que
possam exprimir a perfeição do sentimento
vivido.
Por tantas solidões iguais passei, por quê
esta insiste em tão diferente ser ?
Sinto no traço apagado do momento que o meu
vértice se desfaz...
Abandonado, vago pelo espaço preso apenas
à certeza do desamor. Busco então refúgio em
qualquer verso que recrie o que restou de mim...
Qualquer verso...
Mesmo você Solidão, por favor, não me abandone
nesta escura tarde. Fique comigo e lhe dedicarei,
com carinho, este triste poema vazio...
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