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O silêncio se curva diante da noite.
Talvez uma tentativa de interferir
no que tento escrever neste momento.
Disfarço. Assobio baixinho músicas
marcantes do passado. De repente,
sinto que meus dedos diminuem a
cadência e se calam...
Eu, o silêncio e a noite somos seres
distintos em busca de novo sentido
para prosseguirmos.
Parados, sentimos apenas a luz do
abajur que, compreensivo, sem nada
falar, apenas nos abraça.
Qualquer movimento nos conduz ao
nada, ao vazio...
Nem mais o som enfraquecido do
assobio ganha vida...
Busco, pelo menos, resquícios de
ilusões. Devem estar tão presos ao
passado que não respondem.
Decidido, levanto-me em repentina
determinação e me questiono:
- Por quê tanta tristeza?
Eu e minha alma nos encaramos
por algum tempo e, mudos nos
contemplamos.
Ela, jovem. Eu, velho.
Então, finalmente compreendo.
Só um poderá prosseguir...
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