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Domingos Alicata

   

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O CAIS.
© Domingos Alicata

     

 

O dia, Amor, nunca termina.
Simplesmente finge-se de noite 
para as estrelas cortejar...

É como o teu olhar. Disfarça-se em 
tristeza para enfeitiçar meus lábios.

No cais nunca estamos sozinhos.
Acompanham-nos sempre os frios
ventos da saudade, as lágrimas dos 
amores partidos ou as estrelas, que 
à noite, enfeitam os teus cabelos...

Cais e infinito comungam da solidão do mar...

É neles que a angústia se inspira para nos
envolver nos lacônicos crepúsculos de inverno.
Mesmo a música, que melodiosa nos chega, leva, 
a cada partida, meus poemas tristes a lamentar 
ilusórias paixões.

Meu navio, Amor, só tem carregado antigas 
amarguras onde, indiferente, me acompanha 
a certeza infinita do amor impossível... 

    

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