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O dia, Amor, nunca termina.
Simplesmente finge-se de noite
para as estrelas cortejar...
É como o teu olhar. Disfarça-se em
tristeza para enfeitiçar meus lábios.
No cais nunca estamos sozinhos.
Acompanham-nos sempre os frios
ventos da saudade, as lágrimas dos
amores partidos ou as estrelas, que
à noite, enfeitam os teus cabelos...
Cais e infinito comungam da solidão do mar...
É neles que a angústia se inspira para nos
envolver nos lacônicos crepúsculos de inverno.
Mesmo a música, que melodiosa nos chega, leva,
a cada partida, meus poemas tristes a lamentar
ilusórias paixões.
Meu navio, Amor, só tem carregado antigas
amarguras onde, indiferente, me acompanha
a certeza infinita do amor impossível...
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