Domingos Oliveira Medeiros

   

Nossos Silêncios
© Domingos Oliveira Medeiros

       

 

O silêncio do início 
Assim foi considerado 
Era o primeiro silêncio 
O silêncio esperado 
O amor que se previa 
A paixão que acontecia 
Eu estava enamorado 

Quase nada se falava 
Quase tudo se dizia 
Entre olhares calados 
O amor acontecia 
Eram gestos carinhosos 
Afagos bem generosos 
Era tudo que se ouvia 

E o tempo foi passando 
Nosso silêncio aumentava 
Não se ouvia barulho 
Só o amor escutava 
Nossas mãos entrelaçadas 
Conversas eram trocadas 
Na paz que ali reinava 

Era o silêncio sadio 
Do desejo e da alegria 
Dos que se gostam e se amam 
O silêncio de quem confia 
O silêncio que se consente 
O silêncio do amor presente 
O silêncio que se vivia 

E assim eram as noites 
Eternas, silenciosas 
Juntos, ali trocávamos 
Confidências amorosas 
Quando ouvimos rumores 
De mágoas e dissabores 
E de questões duvidosas 

Até que veio o silêncio 
O silêncio inexplicável 
Sem gestos e sem flores 
Silêncio injustificável 
O silêncio doentio 
O nosso amor por um fio 
O calar insustentável 

O silêncio que incomoda 
O silêncio indiferente 
Silêncio ensurdecedor 
Que explode dentro da gente 
O silêncio quase total 
Um silêncio terminal 
De um grave paciente 

Silêncio de quem ouve mal 
Disfarça e esconde a verdade 
Silêncio sem trégua e sem forma 
E que antecipa a saudade 
Barulho que se faz presente 
Em cada gesto da gente 
Repleto de falsidade 

Foram tantos os silêncios 
Durante a nossa amizade 
E agora que se despedem 
Vão deixar muita saudade 
Sejam silêncios berrantes 
Sejam silêncios falantes 
De mentiras e verdades 

Teve o silêncio do sim 
E o silêncio do não 
De quem contemplava o fim 
O silêncio da separação 
O silêncio pragmático 
Um calar enigmático 
O silêncio sem perdão 

Teve até o mais cruel 
O silêncio sem retrato 
O silêncio indiferente 
O silêncio sem recato 
O silêncio que entristece 
O silêncio que arrefece 
E o que se sente no ato 

Mas de todos os silêncios 
Um só eu guardo comigo 
O silêncio do teu corpo 
Da visão do meu abrigo 
Minha paixão foi sincera 
Calado, fico à espera 
Do me tornar seu amigo 

Reconquistar seu amor
Consertar o mal -entendido 
Abrir o peito e gritar
Como estou arrependido
Por tanto tempo calado 
Tanto amor desperdiçado 
Por tanto tempo perdido 

    

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