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Domingos Oliveira Medeiros

   

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A Água e a Vida
© Domingos Oliveira Medeiros - voz de Anna Müller

     

 

A água que nasce, no meio da mata. 
Um pequeno filete, borbulha em gotas. 
Surge do chão, para a imensidão. 
Escorre da serra, gigante altaneira, no silêncio da noite, 
Na escuridão. 

Do útero da terra, da mãe natureza, o filho despeja, 
O pingo nascido: infância dos rios e das cachoeiras,
Que unidos aos irmãos, em breve crescerão. 
E aos mares, crescidos, acorrerão. 

Arrastando lembranças, guardando segredos,
De amores perfeitos; de amores desfeitos,
De amores em vão.

Histórias colhidas por todos os cantos,
Do meio rural às grandes cidades,
Deixando saudades, nas ondas dos rios,
À beira dos mares. No litoral
.
Pessoas, lugares, conversas trocadas, 
Conversas fiadas, as mais variadas, 
A vida, enfim, tão natural.
Em cima do arame, nas folhas dos rios, 
Fugindo das pedras, 
Do curso normal. 

Impressões e visões no rio transbordam.
Espelhos de águas refletem os rostos.
Divergem, convergem, real, irreal. 
Cativantes, confidentes, sinuosos, aparentes, 
Nas águas correntes, 
Do reino animal. 

Selvagem, no mato, eu vejo a menina. 
Nua no banho, despida em pensamento.
Palpita depressa, o meu coração. 
A água é vermelha, o sangue é fervente, 
Escorre nas veias, na tubulação. 

Eu vou para perto, pro banho com ela,
Tive a permissão. 
No meio da mata, em pleno sertão. 

O namoro acontece, no calor do verão, 
Sob o céu da manhã, sob a imensidão, 
Em total solidão.

O amor resplandece.
Gotas de amor proibido. 
Saídas de mim, sem sentido,
Misturam-se às dela, 
Em suas entranhas, a água escondida,
São pingos de gente, a vida acontece. 

No ventre da moça. 
A água que nasce, a água que cresce. 
Explodindo em cachoeiras,
Escorrendo pelo mundo afora. 

São as águas doce do amor. 
Que logo vão embora,
À procura de outros mares, 
Novos amores. 

Assim é a vida. Assim são as águas. 
Assim caminham rios e mares. 
Entre amores e dissabores.
Águas doces em procura de seus lares. 
Arrastando galhos e flores. 

Com suas alegrias e seus temores.
A vida ali começa e termina. 
Solitária, salgada, mas em cores.

    

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