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Domingos Oliveira Medeiros

   

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Saudade
© Domingos Oliveira Medeiros - voz de Celso Brasil

     

 

Saudade, de novo e agora. 
Saudade, afinal, quem és tu? 
O que desejas de mim? 
Saudade, eu te conheço. 
Já te peguei em flagrante
quando ela bem distante, 
deixou-me contigo a chorar. 
E pude então aprender. 
E posso agora ensinar. 

A saudade é a dor da partida; 
o querer sofrido; o choro, o gemido 
de um desejo reprimido. 

Saudade tem nome e tem cheiro. 
Perfume e calor ardente
Guardados na nossa mente. 

Com saudade, não se vive. 
Quando muito, pela metade. 
Saudade é o calar sufocante. 
É o próprio desencanto. 
É a vontade de morrer. 
Envolto em boas lembranças. 
Saudade é a dor presumida. 
É ferida que não sara
Sem a presença devida. 

Saudade é solitária. 
Um nó seco na garganta. 
Saudade, não adianta. 
É como a seca do nordeste. 
A gente convive com ela, 
torcendo pra que a chuva
volte logo e nos alegre. 
Saudade é planta aguada, 
que nasce dentro da gente. 
Regada com choro e lágrima. 

Saudade é solidão. 
A solidão temperada. 
A solidão amargada. 
Saudade, ninguém esconde. 
Saudade é sempre saudade. 
Consola e desagrada. 

Saudade demora muito; 
Demora pra ir embora. 
Um dia tem mais de ano. 
Saudade é dor infinda. 
A lembrança de um momento. 
A ausência do passado. 

Saudade, por fim, não discuto.
Na sabedoria do povo
É como diz o matuto: 
saudade, minha gente, 
é vontade de ver de novo. 

    

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