|
|
Coletânea
Verso & Prosa -
Agosto - 2006
|
|
|
|
|
|
|
Os textos, aqui publicados, são de inteira responsabilidade de
seus autores.
|
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

E X I S T Ê N C I A
© GLÁCIA DAIBERT |
|
|
Não cantarei a sorte, nem maldirei a morte
não gritarei Paz
nem direi: homens para trás... não se matem
Não tentarei eregir casa, porque um dia terei asas
e voltarei ao que era...
Não falarei da bomba, nem lamentarei
mais um corpo que tomba;
Não lançarei novas idéias
porque muitas dúvidas virão e novas dúvidas
mais guerras trarão e com novas guerras
muitos idiotas morrerão, com novas mortes
mais pessoas chorarão e se todos morrerem
não haverá ninguém a chorar por ninguém
e tudo virá a ser o que era antes...
Serei talvez o aço que fere
ou a mão que diz espere, a alguém que parte...
terei apenas do dom de ser e não existir
e nada hei de sentir, serei perfeita
porque nada terei feito
Haverá em meu lugar, apenas o vácuo,
imenso, frio, inexistente ao dizer
gritar, onde está você, seu demente? |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

OLHAI POR NÓS, SENHOR!
© Maria
José Zanini Tauil |
|
|
Fazer poesia é falar de sentimentos
harmonizados ou não
Pode ser um pedido de socorro,
um lamento...
e até um protesto...
Não dá mais para calar
a revolta que o coração invade...
Está tudo errado!
Os homens se matam por nada,
tiros espolcam a esmo
e encontram alvos humanos...
alvos inocentes...
crianças!
A vingança sempre estoura
sobre o povo, assustado,
sofrido...
Mães aflitas rezam por seus filhos
tão vulneráveis...nas escolas...
nas ruas...no trabalho...
Mesmo nas grandes cidades
somos personagens
de grandes conflitos
Nós, cidadãos de bem,
cumprimos a pena
do isolamento...
do medo...
Guerras...guerras
malditas guerras!
Quando isso terá fim,
Deus meu?
Só nos resta rezar:
PAI DE MISERICÓRDIA,
OLHAI POR NÓS,
SEJA NOSSO ESCUDO
NESSA GUERRA SEM FIM...
Façamos de armadura
o salmo noventa e um
"NÃO TEMERÁS O TERROR DA NOITE
NEM A FLECHA QUE VOA DE DIA...
CAIAM MIL AO TEU LADO,
DEZ MIL À TUA DIREITA
NADA TE ATINGIRÁ"
Só a fé para dar-nos
força...
coragem...
Que Deus nos ajude! |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Mentiras em nome de Paz
© Marisa Cajado |
|
|
Paz cobrem-te com espessa venda,
Proclamando a guerra em teu nome.
Para enfraquecer os homens
Ocultando tua verdadeira espada.
A espada do amor e da compreensão,
Que Cristo revelou em tantos feitos.
E do Cristo querem ser os eleitos,
Fazendo guerra, em nome de fraternidade!
Paz! não pode haver sangue, em tuas vestes
E nunca por ti , desigualdades.
Os teus filhos, serão deidades
Unidos em todos os quadrantes.
A Terra, será a Pátria por inteiro.
A busca será pelo Universo,
E a humanidade refletirá no verso,
A pureza, do teu sentido verdadeiro |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

A VOZ ECOA NO DESERTO
© Mário Osny Rosa |
|
|
Jesus por lá passou
De tudo que pregou.
Sua meta não alcançou
Isso foi que restou.
O que temos há ouvir
A voz ecoa no deserto.
Onde viver é morrer
Nesse mundo a bramir.
As bombas a explodir
Vendo tudo ruir.
Crianças a gritar
Os pais a chorar.
Todos querem fugir
Daquele inferno real.
Num lugar reunir
Cumprindo seu ideal. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Indiferença, arma cruel e certeira
© Vânia Moreira Diniz
|
|
|
|
Não vou escrever sobre a necessidade ou não da guerra de Israel e Líbano e seus motivos mais profundos. Deixo isso para os “entendidos”. O que quero realmente expor é a dolorosa violência que conturba a humanidade toda. E a indiferença com que muitas vezes presenciamos o sofrimento alheio. Nada começou daí. A indiferença pelo sofrimento de outras pessoas inicia em nossas próprias casas, entre os parentes, amigos e conhecidos, nas pessoas que estão próximas e para as quais olhamos incapazes de um gesto, de um sorriso, de um olhar de compreensão ou de uma atitude de cumplicidade..
É aí que começa a insensibilidade pelo sofrimento alheio ou mesmo a grosseria que não faz parte da indiferença, mas da reação agressiva de um ser humano por outro.
A Guerra urbana mata milhões de pessoas, a truculência covarde e falta absoluta de sensibilidade quando lidamos com nosso próximo, excluindo pessoas humanas com necessidades especiais, doentes, velhos, carentes em todos os sentidos e que não podem se defender. Isso é o máximo da ausência de amor que conturba a humanidade.
Rimos, brincamos, passamos por cima da dor de outras pessoas contanto que estejamos bem, que nosso ego perdure satisfeito ou tenhamos por vezes a errônea consciência que o mundo gira em torno de nós.
Assim acontece nessa guerra dando-nos a sensação que não podemos esperar mais nada da vida, presenciando mesmo de longe o massacre de milhões de pessoas, e crendo que não há nada que justifique tanto sofrimento de crianças, mulheres, homens, seres humanos enfim, cuja dor não tem fim.
Como é horrível usufruir as coisas mais simples, orgulhar-se de seus próprios méritos, gargalhar, ser feliz sabendo e vendo as cruas cenas de carnificina mostradas ao mundo inteiro como se estivéssemos no cinema assistindo a um filme de suspense e à destruição e à barbárie que o mundo presencia em capítulos dolorosos.
Não há nada que possa justificar tanta destruição, sangue derramado, horror, desgraças, miséria, e morte. E não há alegrias capazes de empanar o espetáculo aterrorizante que se passa nessa guerra fria e cruenta, maltratando a humanidade na verdade porque atinge todas as pessoas que acompanham esse sacrifício inútil.
E a guerra não está só lá, distante de nós, está em cada rua da cidade, em cada pessoa que nega seu auxílio à outra, no desemprego, na exclusão, na insensibilidade dos mais poderosos, na pobreza, nas doenças, na frieza de se negar a estender a mão aos mais fracos, no egoísmo, na traição, na empáfia, no desinteresse repulsando nossos irmãos de caminhada, na insensibilidade, no não reconhecimento da luta pelos excluídos.
Estamos no momento crucial de uma humanidade que permeia e define seus caminhos. Amor, amizade, solidariedade não são termos vãos, mas palavras chaves que poderão levantar e tornar esse mundo menos perverso ou destruí-lo totalmente.
Não podemos ficar indiferentes a tudo, acostumados a ver a aflição alheia, sem um gesto de revolta, reação natural nos seres humanos normais.
Afinal estamos a favor ou contra a destruição, a guerra e a devastação? Será que podemos em sã consciência curtir a vida em seus momentos mais prazerosos com o espectro de uma humanidade sofredora, desesperada e clamando por socorro?
Será que realmente podemos nos divertir alegremente enquanto pessoas humanas são feridas, torturadas e mortas?
Indiferença, o sentimento mais covarde que existe não pode permanecer entre nós porque seria o fim desse planeta que já se manifesta até nos fenômenos da natureza.
Sejamos então compassivos com nossos próximos, tão semelhante a nós na certeza que precisamos um dos outros, com a mesma intensidade. Abominemos a mentira, o disfarce, o fingimento e voemos nas asas libertas da verdade. Elas são mais fascinantes, sedutoras e nela encontraremos o porto que aguardamos.
Precisamos urgentemente que a violência amaine não só nas ruas como entre os povos que desde o começo de nossa história brigam, se machucam e guerreiam de uma forma brutal. Que possam seguir a estrada com mais humanidade e como seres humanos e não animais ferozes em busca de sua presa.
Precisamos nos unir e encontrar a paz, para que nossos descendentes encontrem a felicidade na luz, afastem a escuridão e sejam solidários para que possam sentir o retorno da verdadeira prosperidade e a presença do amor, do “amai-vos uns aos outros” e do “eterno” mesmo na efemeridade da vida
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Meu Grito
© Helô Abreu
|
|
|
O grito anda costurado ás minhas carnes
Ouço-o por onde ando
Quero adormecer
Mas ele acorda-me
Do mundo só ouço gritos angustiados
Invadindo casas
Destruindo gentes
Pessoas que não conheço
Mas também como eu... é gente
Que ama, sofre e quer sorrir
Não quero mais estes gritos ouvir
Não quero conhecer-te oh! grito
Por mais que te ouça
Não quero
Mas continuo a ouvi-los
Inaudíveis
Sufocados nas gargantas
Golpes afiados
Que me penetram
Por fotos de jornais,
Por palavras de amigos
Ouço-te
E dói-me este ouvir
Este lamento choroso
Sem respostas
Grito moído dos que padecem
Em mim entranham-me como um cancro
Como alucinada em busca da droga
Ouço-te
Me sinto enlouquecer
Pela doença mundial
Por uma dor verdadeira
Que invadiu a Terra e corrói os homens
Sinto a ausência de Deus em todos os lugares
E esta ausência fazem nascer os gritos
E matam os homens
Geram dores
Não ouço mais palavras suaves
Nem vejo gestos de ternura
As almas fugiram dos corpos
Pois não deram amor
Nem tampouco o receberam
Meu corpo e minha alma grita
Fazer o quê?
O coração chora
Pelo grito de dor de quem não O conhece
É tão pouco o que posso fazer
Rezar
Pedir a Ele Paz para este mundo louco
Exausta durmo
E sonho a oração que não soube orar
-Deus Tu és pai
aplaca esta dor do mundo! |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

AMBIÇÕES DESMEDIDAS
© Sandra Fayad
|
|
|
|
A escalada de destruição em países do Oriente Médio tem demonstrado, ao longo dos últimos anos, que está cada vez mais distante a estabilidade e a paz na Região e no resto do mundo. Isto porque a cada ação naquela Área tem correspondido uma reação em locais onde há envolvimento dos respectivos governos no conflito original, como foi o caso da destruição das torres gêmeas em New York e das explosões nos metrôs em Madri e Londres.
Parece que, diariamente, as cenas veiculadas pelos meios de comunicação saíram das telas das superproduções cinematográficas de Hollywood para a realidade. Os telespectadores assistem impassíveis, às vezes atônitos, às reportagens, como se estivessem em uma sessão de cinema, onde lideranças político-econômicas, como atores principais, se revezam em declarações bombásticas e, na maioria das vezes, mentirosas sobre o que os move e aonde pretendem chegar com tudo isso. Os agressores ocidentais, desmascarados internacionalmente diante de provas incontestáveis, continuam ‘trabalhando’ a partir de falsas premissas, em demonstração de que uma mentira repetida milhares de vezes acaba se transformado em verdade absoluta.
Ate nós, escritores, que temos o hábito da leitura e da busca pela informação atualizada, nos perdemos em meio ao emaranhado de dados fornecidos pela imprensa, às vezes sensacionalista ou encomendada, às vezes consciente do seu dever de bem informar e esclarecer.
O homem, essa criatura inventada por Deus segundo a Bíblia Sagrada dos cristãos, está extremamente vulnerável aos desígnios de uns poucos seres fisicamente semelhantes, cujas ambições pelo poder se tornaram insaciáveis.
Algumas notas têm me chamado a atenção nos últimos dias, em noticiários menores, por se tratar da atuação de alguns organismos internacionais, que deveriam estar sendo ouvidos e respeitados. Comenta-se que os esforços da Organização das Nações Unidas para conter os conflitos e combater a interferência externa na autonomia dos países têm sido em vão. A última reunião da Organização Mundial do Comércio foi um fracasso para os países que não fazem parte do G-8. O FMI é um Órgão que parece ter cumprido o seu papel de cobrador de créditos, a taxas de juros exorbitantes, estando agora em fase de desativação. Estudos têm demonstrado que os ricos continuam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Há quem afirme que a chamada globalização não passa de um mito. Representa a ilusão de que haveriam mudanças significativas nas relações econômicas e sociais entre os que detêm a riqueza e os que dela carecem, no sentido de melhor distribuir a renda global. Pura balela!
Retroagindo um pouco no tempo, reporto-me à década de sessenta, em que os filmes de faroeste norte-americano mostravam as incursões dos ‘colonizadores’ ao interior daquele país e a incorporação dos territórios indígenas e mexicanos. A violência contra os nativos era a tônica, conduzindo o telespectador a torcer sempre pelo invasor bem vestido, bem alimentado e armado até os dentes contra índios e latinos desprevenidos ou utilizando-se de armas ultrapassadas, que só queriam defender o seu território. Ali, ao final de cada exibição, morriam milhares de nativos contra meia dúzia de oficiais, que eram condecorados e venerados como heróis. Nada mudou de lá para cá. Alguém duvida? Vou além. Se houve mudanças, elas foram para pior no que diz respeito aos direitos humanos.
É verdade que a segunda metade do século XX foi marcada por grandes avanços tecnológicos. Ganhos ocorreram no sentido de facilitar a comunicação, agilizar a execução de tarefas, disponibilizar novos instrumentos às pesquisas científicas, e, infelizmente, gerar um sofisticado desenvolvimento armamentista e de controle sobre as ações de cada cidadão. Isto despertou em alguns detentores do poder e da informação o desejo de dominar nações inteiras, sob pretextos questionáveis, a despeito de nelas existirem pessoas inocentes sujeitas a sacrifícios inúteis.
Agora, não há sequer um Organismo Internacional isento, que represente e imponha a defesa da VIDA, o direito do cidadão de ir e vir em paz, de estabelecer-se em qualquer ponto do planeta com sua família sem que paire sobre suas cabeças ameaças de bombas, destruição e devastação de sonhos, valores e patrimônio construídos ao longo de gerações e gerações. E tudo isso parece fazer parte de planos alinhavados em gabinetes governamentais, por interessados em incorporar aos seus patrimônios pessoais tudo o que conseguirem subtrair do resto da humanidade. Minha imaginação tem me levado a supor que ali exista uma nova ‘bíblia sangrada’, em que poderia estar escrito:
Em nossas cabeças de camarão,
Queremos que todos vão para o inferno.
Nossa missão é dizimar a humanidade
Conquistaremos a terra, o universo...
Somos poderosos, seremos eternos.
Abram caminho! Saiam da frente!
Somos os desbravadores modernos,
Destruiremos toda essa gente.
E reinaremos sós... nós, os deuses.
Que ALLAH nos proteja! Amém.
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

A GUERRA
© Lia-Rosa Reuse
|
|
|
As casas que se abriam em sorrisos
já não são que veleiros de sangue
singrando mares de luto.
A paisagem que a janela oferecia
é dolorosa queimadura
e o céu, encanecido de fumaça,
é teto baixo de fétidas cinzas.
Animais agonizam mutilados,
multiplicam-se cruzes onde havia jardins.
Mulheres e crianças
com seus cães sobreviventes,
escondidos no fundo de buracos
balbuciam orações
pelos trabalhadores chamados a ser soldados.
Entre um ataque e outro
explode o silêncio do terror.
É a guerra !
A guerra que sempre começa
na intimidade do humano
transformado em algo sem nome,
só insensível,
com excesso de vaidade, de ambição,
de egoísmo
e fome de poder a qualquer preço.
Guerra é semente
na inconsciência
de cada homem nascido,
como a sensibilidade,
matriz da harmonia, da justiça e da paz,
cujo farol mantém-se sempre aceso,
mesmo que haja quem feche os olhos da alma
para ver, ao invés da generosa claridade,
só a própria sombria violência interior.
Guerra é a má semente bem nutrida... |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Guerra
© Maria
Loussa
|
|
|
Adúlteros da paz os que contendem por egoísmo, por vaidade
e fome de poder. Não param, não sentam,
não refletem para ouvir, e melhor seu próximo conhecer.
O mundo está dividido
porque uns querem a guerra e outros querem a paz,
todos se justificam querendo e buscando o que lhe satisfaz.
Sempre existiram as guerras desde o princípio das civilizações
e porque não dizer desde a origem do homem
essa brutalidade tem invadido os corações!
Disputa violenta entre grupos organizados...
tem a estupidez como conseqüência, e pela insensatez
todos finalmente acabam estressados.
É uma brutalidade humana que não se cansa
e revela uma atitude insana de busca permanente
quase sempre frustrada, já que o objetivo maior não se alcança.
Reúnem para decidir, para indicar o que vai ser
fazer descobertas, conhecer o inimigo,
mas nunca reúnem para amar e compreender. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

ARENA ENCARNADA
© Marilene Caon
Pieruccini
|
|
|
Elocubra a alma do mundo
Profundo réquiem de dor.
A manhã tornou-se rubra
No calor varrido que gelou
Josés, Marias e outrens
Pelos trens de alegorias,
Vítimas de ébano
Nos cedros do Líbano.
Vergonha e horror
No retorcido manto,
Canto modificado,
Ladainha de repúdio
No prelúdio de nênias
Para magoados anjos,
Arranjos inocentes.
Alternativa indecente,
Sem justificativa,
Para espúria liberdade.
Humanidade inglória,
História que não queria
Contar um dia
A meninos valentes
Carentes de arenas
Verdadeiras, mas de paz. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Visão Indígena e intolerância
©
Eliane Potiguara
|
|
|
A humanidade buscou sem resultados, por séculos e séculos, os vários deuses fora de si mesma, inclusive aquele sentado no universo e governando o mundo. A humanidade criou diversas filosofias, dogmas, “juízos de valor” sobre essas criações. Mas aquele que compreendeu que Deus está dentro de si mesmo e que todo ser humano é um deus em ação, responsável por cada ação boa ou má que pratica, esse sim, está mais próximo da verdadeira tolerância, do respeito pela opinião e do respeito pela percepção sobre as escolhas que seu próximo possa ter e, aceitá-las. Imagens, cerimônias, mitologias, liturgias, símbolos, representações culturais inclusive são conseqüências das criações e do inconsciente coletivo, não fazem mal a ninguém.O que faz mal é a pretensão de querer ser melhor que os outros ou ser o dono da razão, quando existe uma grande diversidade de pensamentos entre a humanidade. Isso tem causada as guerras as guerras.E o melhor caminho para a reflexão sobre culturas, ideologias e outros temas é a concentração, o estudo, a experiência e a compreensão.Quando concentramos nossa mente se ilumina. Brota o respeito.Ela se transforma numa estrela e os que estão no escuro, na ignorância e na teimosia tentam dilapidar essa luz.
Precisamos encontrar na prática a unidade na diversidade a partir da observação e concentração.
A força do universo a que muitas pessoas falam quando se referem e identificam Deus, nada mais é que a força da gravidade que rege as chuvas, as cachoeiras, as marés, as torrentes, as lavas dos vulcões, as águas dos rios. ASSIM É NOSSO PENSAMENTO INDÍGENA. O caminhar constante e certeiro dos planetas e das estrelas que giram em torno deles é a grande força magnética que rege o universo.O nascer e o morrer dos entes vivos é o ciclo natural da vida, para que a alma se fortaleça. Seres humanos estão conectados a essa gravidade e magnetismo da Terra, respectivamente. Se estamos conectados com toda essa força por questão da Física e se somos Deus em ação, então somos UM. Todos os seres da natureza possuem um alma e por isso são reverenciados e há o que a sociedade chama de mitos, que para nós, são as nossas próprias histórias, tanto de Criação do mundo, quanto da formação do caráter das crianças e jovens. As nossas histórias definem o comportamento do homem e mulher na sociedade indígena.Elas são contadas pelos mais velhos e pelos lábios espirituais dos ancestrais!
O planeta inteiro fala em um mundo mais justo, em paz e amor ao próximo, mas a justiça começa dentro de nós, quando todos procuram-na do lado de fora. A evolução e re-volução devem começar dentro do indivíduo, porque Deus já deve estar dentro de nós.
O pensar mal e o falar mal dos outros é um dos piores defeitos quando o indivíduo não utiliza a autocrítica. Isso é intolerância e começa assim mesmo, de forma simples, um e outro falando mal do próximo. É a emissão do juízo de valor.O monstro começa a crescer dessa forma até chegar a ponto de violência em que estamos vivendo, nas cidades e nos campos, nos países ocidentais e orientais. É A PRÓPRIA GUERRA, interior ou exterior, local ou global, nacional ou internacional.A riqueza material de uns é a pobreza de outros. A má qualidade de vida dos seres humanos resulta das relações do poder econômico e político implantados nos Estados.
A má qualidade de vida destrói as próprias vidas. A natureza destrói a vida de quem não tem qualidade de vida, porque suas vidas não têm segurança, saneamentos, pilares altamente fortalecidos para impedir a força brutal na natureza, quando ela vem. Por acaso, a força da natureza destrói os palácios, as igrejas douradas, as mansões, os castelos empedrados? Ou destrói as humildes casinhas e pastos dos despossuídos? Não é Deus que destrói, é a intolerância que não une os seres viventes para uma melhor qualidade de vida.Quem destrói é o fundamentalismo econômico e social que impinge o estado de miséria e pobreza.
O autoconhecimento passa pela observação/concentração a si mesmo e à natureza envolvente, o autoconhecimento passa pela autocrítica.Quando se faz uma análise de comportamento se começa por si mesmo, e não por teorias complexas, tratados sociais, teorias políticas ou teses. Olhar para si mesmo é ser um analista político altamente nato. Se conseguir analisar-se bem, saberá desenvolver uma magnífica consideração teórica, seja um erudito ou um analfabeto. Será um brilhante sociólogo ou comentarista popular.
Concentrar-se em si: este é o lema, mas veja bem, não é um egoísmo sobre si mesmo. É um concentrar analítico, com sabedoria e paciência de determinados velhos e velhas, que se capacitaram através dos séculos, pela observação e concentração, seja em qualquer cultura, sendo que tal característica é mais presente nas culturas ancestrais e indígenas. Por isso o velho pajé observa e se cala, para depois agir pacificamente pelo bem étnico.
A intolerância de qualquer natureza é a responsável pelas discriminações sociais, econômicas, políticas e raciais. A intolerância intergrupal, a chamada intolerância ou subordinação interseccional é o racismo cultural, que também bloqueia o crescimento da humanidade, porque ele está aflorado dentro das famílias, dentro das casas, até entre irmãos de sangue, ou entre o homem ou mulher, retratando as desigualdades de gênero, incluindo a questão do homossexualismo.A inveja intergrupal, interpessoal que destitui um conhecimento, para ali se alocar uma ignorância prepotente, atrasa o processo de amadurecimento das mentes. A intolerância intersecccional é a pior categoria, ao meu ver, pois divide as lutas e atrasa o processo histórico de libertação e enfraquece o grupo comunal.Enfraquece toda uma luta, que muitas vezes estaria à beira da vitória. E o inimigo, o poder maior, joga com as intolerâncias intergrupais: as picuinhas, as divergências e as ganâncias.
A “intolerância maior” sempre foi mais fácil de se identificar.Está claro para todos. É o racismo dos nazi-fascistas contra judeus, dos brancos contra negros, dos brancos contra indígenas. São as intolerâncias religiosas e das grandes potências que matam, discriminam, violentam, causam guerras. Sobre essas intolerâncias as pessoas dizem que isso não tem nada a ver com elas. Por isso considero a maior injustiça, as intolerâncias interseccionais. São aquelas que estão conosco no nosso dia a dia, enraizada, porque a “intolerância menor” está entranhada nos corações, nos olhares de ciúmes, nas pequenas competições e assim, o self selvagem, o deus que somos_, pois o temos dentro de nós_ se enfraquece. Os indivíduos não querem se separar dessas intolerâncias por comodismo, por inconsciência, conivência ou insensatez. Sempre são os outros. Sempre os outros. Nós não enxergamos a nossa própria intolerância. A culpa está sempre nos outros, não é assim, durante séculos e séculos? Somos intolerantes dentro de um grupo, e nosso/as comparsas sentem vergonha de denunciar um fato e o máximo que fazem é apenas espernear, revidar ou aceitar a submissão. É assim que a “intolerância maior” enfraquece os seres humanos.O homem e a mulher oprimidos enfraquecem seu Deus interno. Assim, seu Deus que já está fora de seu interior, sentado num trono no Olimpo, distante de si mesmo se enfraquece, e o indivíduo luta para alcançá-lo, almejá-lo, quando ele mesmo já o possuía, quando ele cultivava a força interior. Deus está distante, e o ser humano se sente um aniquilado, assim como na história de uma mulher indígena que levou um tiro do marido no olho, ficou cega desse olho e preferiu calar-se, para esconder o erro do homem na sociedade maior, como vi num documento recente.Isso é subordinação interseccional, uma exceção na questão indígena.
Que possamos enxergar as nossas próprias intolerâncias, sermos UM_ Deus e o indivíduo. Assim estaremos mais fortalecidos para a luta maior: a luta contra a discriminação social, religiosa e racial no mundo inteiro |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Guerra
© Nita Ferreira
|
|
|
Lares devassados, vidas desventradas
Negra dor que os mísseis vão semeando
Sonhos desfeitos, esperanças arrasadas
Raízes secas de um jardim murchando
Pelas tuas mãos corpos dilacerados
Espigas febris do joio que plantaste
Tenros sorrisos ensanguentados
No lume da fogueira que ateaste
Homem feroz, o mundo não é teu
Só o império de escurião e breu
Desta guerra, disforme sinfonia
Notas de vil e insana loucura
Em lágrimas inocentes de amargura
Na noite imensa que avassala o dia |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Pensamentos
e pequenas frases de muito sentido
© Rui Pais
|
|
|
Vivemos um momento de grande ansiedade política porque sabemos que a paz mundial só é possível com o empenhamento de Israel e Estados Unidos, mais que quaisquer outros povos ou potências intervenientes, são eles que ditam o princípio e o fim das escaramuças com o mundo islâmico. Rui Pais
O que eu vejo nos interesses que movem as guerras do mundo, você pode nem estar aí, e a política é sempre um osso com vontade de corroer. Rui Pais
Quando se considerar os direitos do povo árabe, talvez se deixe de viver sobre um barril de pólvora e o terrorismo passe a uma longínqua miragem. Rui Pais.
A paz sem cedências de parte a parte não é possível, o que leva a crer que só nações externas a esses conflitos poderão ter um papel importante na paz mundial. Rui Pais
A aceleração dos acontecimentos é cada vez mais rápida pelos próprios meios da evolução ao dispor e neste contexto podemos ser apanhados de surpresa se não estivermos atentos. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

A GUERRA
© Amilcar de
Figueiredo
|
|
|
A guerra não tem pai… nem terá mãe?...
Aborto monstruoso, ninguém quere!
Não tem face, não tem perfil ou ser…
Por isso não tem forma de ninguém!...
A guerra que destrói faz infelizes
No mundo que a consente e abastece,
Ninguém a quere sentir, mas reconhece
Que terá na origem meretrizes!...
A guerra que alguns querem desculpar,
(Defesa de ideais e de progressos)
Saberão que o seu fito é matar,
Usando todas formas ou processos!
-Que a guerra em palavras vá findar
Com todos maus efeitos dos excessos!... |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Guerra...
© Maísa
Cristina Vibancos
|
|
|
Melodia fria que bate e volta
chicoteia nossos ouvidos,
solo cru de sentimentos humanos
grunhidos do poder e posse,
não sobram homens apenas fanáticos
deixam restos de infâncias espalhados;
tempestade criada por homem-ego
para massacrar o homem-irmão;
mentes dementes sem olhos ou almas,
esquecem-se da boca e dos ouvidos
instrumentos mais eficazes
que podem soar toda a paz.
Matar e destruir por um ideal:
fácil e covarde.
Usar a palavra?
Difícil?
É desafio à coragem,
ao ideal de vida;
alcançar a paz...
... sem atirar. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

GUERRA E PAZ
© Domingos Oliveira Medeiros
|
|
|
A paz, o puro branco, eu vi pulsando
no coração mais puro: o das crianças.
A cor do futuro estava ali, presente;
um futuro verdejante de esperanças.
Envolto em sonhos mágicos, utopias
de todas as cores e de muitas fantasias,
no brilho dos olhos e das tranças.
O amor ao próximo e às liberdades,
um mundo de paz eterna se previa.
As flores, os campos, os rios e os mares,
tudo era motivo de alegria.
Montanhas gigantes,do alto da serra,
a paz e o amor escorrendo pela terra.
Um rio de entusiasmo assim nascia.
Não demorou, e os pequeninos cresceram.
Envoltos no negro e na escuridão, transformaram-se
em homens e mulheres que nada viam,
a não ser pedaços daquela explosão:
a fome, a dor, o sofrimento, enfim.
Flores mortas enfeitavam o antigo jardim.
Exalando os odores da angústia e da solidão.
Surgem as cinzas. Restam escombros.
Sobras de tristezas em cada coração.
Não há destino, não se arriscam rumos.
Não há luz no túnel. Escureceu a razão.
Não há mais motivos para sorrir.
Nada se espera. Não há porvir.
Apenas as sombras de lágrimas enfeitam o chão.
O vermelho do sangue escorre pelas ruas.
O líquido do futuro verdejante é derramado.
Transborda o rio negro da vingança,
simbolizando a morte de um passado
que um dia foi verde, foi criança;
que teve sonhos, e guardou a esperança
no coração, em segredo, bem guardado.
Hoje a criança mudou de cor, amadureceu.
Seu coração vazio, está seco e petrificado,
asfixiado em lágrimas, não mais sorri.
Se sente só, sem esperança, injustiçado.
Esperando a hora de morrer um dia
e abandonar seus sonhos e a ousadia
de ter nascido, ser menino, e ter sonhado.
Com um mundo de paz, sem violência.
Um mundo com muito amor, justiça e liberdade;
para gozar a vida com seus mil amores.
Desde criança, até o início da puberdade,
acostumara-se a sonhar com outro mundo.
Que só conheceu em pensamento profundo.
Hoje é descrente de toda a humanidade.
Furacões, tempestades, maremotos.
Culpam, os incautos, a própria natureza.
Oceano de argumentos sem sentido.
Escondem o que sabem, com certeza.
A ganância, indiferente ao semelhante.
Mudam crenças e valores a cada instante.
A arrogância põe as cartas na mesa.
Governantes, sorrateiros, majestosos.
Pobres homens, travestidos de estadistas!
Dizem-se amantes das liberdades e da justiça,
Mas, no fundo, não passam de rivais terroristas.
Corsários e piratas de liberdades surrupiadas;
autores de mortes e de misérias anunciadas.
Entre anônimos e omissos, é grande a lista.
Os meios, não importa, justificam os fins.
Fins que se curvam aos ditames da economia.
Poluindo rios e mares, agredindo a natureza.
Tudo em nome do lucro fácil. Da utopia.
Árvores, aves, animais, e até o homem, ameaçados.
Culturas, crenças e valores impostos, modificados.
Consentido pelo medo, pela subserviência, pela covardia. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Imagem de
Guerra
© Maria
Paula Garraio
|
|
|
Nem preciso olhar para a TV
Basta o som das noticias para imaginar
Olhos que já não conseguem chorar,
Olhos que já não vêem.
Milhares de Mães com pedaços de seus filhos
Milhares à procura nos destroços,
Milhares gritando por um pedaço de Paz.
E que vêem?
Pedras no caminho, cinzas espalhadas pelo chão
Onde antes, eram suas casas, seus jardins.
Os que restam, vão pedindo compaixão.
Senhores deste Mundo
Senhores sem coração.
Parem, por um minuto
E escutem com atenção
Não nos ensinem mais o rancor,
Nem inveja, nem dor
Deixem-nos brincar, com todos os meninos
Isentos de raça e de cor.
Construam dia a dia,
Dentro do vosso coração
A sã e salutar harmonia
Quando nos contarem histórias,
Misturem verdade com fantasia.
Que o vosso amor, seja construtivo,
Presente, calmo e compreensivo.
Se querem Homens Amanhã,
Deixem-nos ser autênticos, não nos escondam
A verdade dos que tem: frio, fome e sofrimento
Mesmo que dessa verdade nos nasçam
As primeiras e doloridas lágrimas!!
Porquê? Porquê?...
Que os Grandes Senhores
Não nos deixam viver? |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

O VALOR DA GUERRA
© Lucy Reichenbach
|
|
|
A história do homem é de guerra
porque dela viria a sonhada paz...
Lastro nisto, contra o outro berra...
O outro mostra força e grita mais!
Mas lembre que apenas a vida
nada significa p´ra alma humana,
a liberdade é contrapartida
que deve reinar sã e soberana!
Então, se nos tiram o galardão,
a guerra é um mal necessário,
pois, viver em estado de sujeição
é fazer dela apenas um relicário...
Morre-se por uma causa ou ideal
e isto mostra que a vida é pouca
que a dignidade é algo primordial,
sem o que, melhor morrer tarouca...
Portanto, irmão, veja por este lado,
não reduza tudo ao porte erecto...
Vida...apenas... não tem mérito...
Só vale se por ela tiverdes peleado! |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

(in)quietude
© Andréa Motta
|
|
|
Na linha do destino,
sorrisos e pranto
escuridão e luz.
A noite calada registra
as marcas inexoráveis do tempo.
No rastro da estrela-guia : a Paz. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Pela PAZ
© Celso Brasil
|
|
|
SENHOR,
Despertai os corações que jazem na ignorância...
Despertai nos "poderosos" VOSSO AMOR.
Afastai aqueles que pregam, com arrogância,
O ódio, a separação, a guerra, o rancor...
SENHOR,
Tende piedade daqueles inocentes que sofrem,
Que choram na dor dos familiares e crianças,
Que oram, em desespero, e, ainda assim, morrem
Deixando, como legado, esperanças!
SENHOR,
Afastai os falsos poderosos que espalham a dor.
Aquele que, muito consciente, ainda erra.
Ajoelhados, espiritualmente, diante de VOSSO AMOR
Pedimos-VOS, por JESUS! espalhai a PAZ na Terra! |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

O FOGO E A GUERRA
©
Denise Figueiredo
|
|
|
O fogo forte que abrasa pedras
É o mesmo que emana dos corpos
Fogo que na floresta acua as feras
Leva homens vivos para fornos!
Onde a palavra torta é poder,
O fogo passa levando o que vê.
O que fica no chão é para não se mexer
A brasa queima até olhos em ver.
A tora e o graveto são iguais.
Sente o fraco e o forte no amor.
Nivela ricos, pobres e animais.
Como a criança que se aparta dos pais,
Poderoso que na vida não tem paz,
Na guerra, só se regala quem a faz. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
| |

Papoilas Vermelhas
© José Carlos Primaz
|
|
|
Olhos brilhantes, corpos rastejando
Na terra lamacenta, vermelha, ensanguentada,
Seus corpos trémulos, na noite, e no vazio segurando,
Nas mãos crispadas, o gatilho da espingarda,
Esperando, sozinhos... sem ninguém, sem desejos... só esperando.
Dias longos, gritos na noite escura, a morte procurando ...
Quantas tristezas e lamentos, numa amarga sensação,
De homens morrendo, e o seu sangue misturando,
Com a terra, que até ontem, aos homens só lhes dava o pão.
E para quê ? porque depois... muito tempo depois... tudo acabou.
E tantas luas, tantos sóis, tanta chuva, também por lá passou,
E o arado do lavrador, as sementes a essa terra misturou,
Esquecendo os outros tempos; tempos de morte, de dor e desolação ...
E na linda seara, que naquela terra vicejou,
Uma criança, na primavera, docemente, seus joelhos pôs no chão,
E suas ternas mãos, lindas papoilas vermelhas, apanhou.
Vermelhas, como o sangue, que um qualquer soldado, um dia lá deixou. |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Voltar
para o índice
|
|
|
|
| | | |