HEROÍNA SEM MEDALHAS...
© Lucia Amberget
Fale comigo!

 

              Hoje, escrevo para a mulher 
Que acorda de madrugada, 
Encosta a barriga no fogão, 
Sem tempo de recompor 
Ou compor para seu companheiro, 
A música que todos os dias 
Ela sonha cantar. 

              Não tem tempo... 
Nunca sobra tempo... 
Seu cotidiano é eterno... 
Não existe um final: 
Uma luta sem trégua da vida 
No dia a dia, da mulher 
Sustentada pelo marido 
Com o salário mínimo 
E se desdobra em dez mulheres 
Para seus filhos não passar fome 
E venham ter uma vida mais digna. 

              Ela não é notada!
É sofrida 
Maltratada pela vida... 
Sem opinião... 
Na maioria das vezes 
Sem chão, 
Seguindo em frente 
Compondo sua própria canção: 
"Vida desvivida".
Deixou de viver para si 
Há tanto tempo 
E no momento 
Trabalha para que tudo 
Esteja no lugar... 
Na vida de sua família. 
Quando a noite desce,
Não tem tempo para ajoelhar 
E fazer uma prece... 
Suplica a Deus do jeito que está. 
Apenas ela não tem lugar! 
Não se encaixa, 
Não é lembrada...

              Hoje, minha homenagem 
Vai para você mulher: 
Heroína sem medalhas, 
Vitoriosa sem prêmio! 
Desdobra-se pelos seus.
E por ela? 
Quem se desdobrará?... 
Ninguém. 
Hoje...
Seus filhos não lembraram
De você...
Eu lembrei.

 



 

 

 

         

   

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