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Hoje, escrevo para a mulher
Que acorda de madrugada,
Encosta a barriga no fogão,
Sem tempo de recompor
Ou compor para seu companheiro,
A música que todos os dias
Ela sonha cantar.
Não tem tempo...
Nunca sobra tempo...
Seu cotidiano é eterno...
Não existe um final:
Uma luta sem trégua da vida
No dia a dia, da mulher
Sustentada pelo marido
Com o salário mínimo
E se desdobra em dez mulheres
Para seus filhos não passar fome
E venham ter uma vida mais digna.
Ela não é notada!
É sofrida
Maltratada pela vida...
Sem opinião...
Na maioria das vezes
Sem chão,
Seguindo em frente
Compondo sua própria canção:
"Vida desvivida".
Deixou de viver para si
Há tanto tempo
E no momento
Trabalha para que tudo
Esteja no lugar...
Na vida de sua família.
Quando a noite desce,
Não tem tempo para ajoelhar
E fazer uma prece...
Suplica a Deus do jeito que está.
Apenas ela não tem lugar!
Não se encaixa,
Não é lembrada...
Hoje, minha homenagem
Vai para você mulher:
Heroína sem medalhas,
Vitoriosa sem prêmio!
Desdobra-se pelos seus.
E por ela?
Quem se desdobrará?...
Ninguém.
Hoje...
Seus filhos não lembraram
De você...
Eu lembrei.
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