DIA DA MULHER, PARA QUÊ?
© Lucy Reichenbach
Fale comigo!

 

Gostaria de ver chegar o dia em que não mais haja um dia da mulher e que todos os dias fossem celebrados como dias da mulher e do homem. 

O fim do dia da mulher seria o fim dos problemas de gênero e seria o atestado de que desfruta ela do tratamento digno e isonômico que sempre mereceu e que 
essa ordem de coisas entrou para a normalidade do cotidiano humano e que já não precisam ser provadas ou pregadas.

Caminhamos muito desde 1857, quando mulheres morreram carbonizadas no confronto com a policia ao reivindicar redução de carga horária e equiparação 
salarial com os homens e avançamos fortemente ao adquirir o direito de votar e ser votada (no Brasil, em 1932).

Mas enquanto houver no mundo mulheres excisadas (extração do clitóris com lâmina para tirar-lhe o prazer); mulheres estupradas pelo pai, tio ou marido, 
(porque este o faz quando se imagina dono do corpo da mulher e força o ato sexual) e mulheres agredidas, é necessário que haja um dia da mulher e que nele se 
fale dela e de seu flagelo.

Desde que a força deu lugar à inteligência e que as máquinas passaram a fazer o serviço pesado, fez-se evidente que homens e mulheres tinham coeficiente de 
inteligência de igual grandeza, o que os capacitava a competirem no mercado de trabalho de igual para igual.

Penso que atualmente, no ocidente, a mulher pode alcançar o cargo que quiser, a carreira que almejar. Basta que eleja sua meta e dedique-se a ela. Verbi gratia, 
o caso de Hilary, prestes a ser Presidente da nação mais poderosa da terra e a Presidente da mais alta Corte do Brasil, a Ministra do Supremo Tribunal Federal 
Ellen Gracie.

E confirmo essa realidade com um fato pessoal: de família pobre e sem influência, enfrentei e venci duas provas escritas, uma prova oral e uma pesquisa acerca 
de minha idoneidade social, o que habilitou-me a ingressar, em 1985, numa carreira basicamente masculina e conservadora e na qual as mulheres não 
representavam mais que 5% (hoje representam a metade ou até mais).

Logo, à exceção das que fazem do homem um cabide ou elegem uma vida de parasita, qualquer mulher pode ser e ter tudo que quiser. Pode ser autoridade, 
empresária, profissional liberal, enfim, ser uma pessoa de valor com uma biografia de respeito, com o quê, os bens materiais que se lhe seguem nada mais 
serão que mera conseqüência.

Mas falta-lhe hoje perder o condicionamento patriarcal de servilidade diante do homem, para olhar e ser olhada como companheira de luta e de ideais e, 
sobretudo, respeitar sua mente e seu corpo, para ser respeitada.

Então, mulher, enquanto for necessário o 8 de março, lembremo-nos da luta para chegar até aqui e tenhamos a certeza de que se quiser, você, mulher, tudo 
pode!

© Lucy Reichenbach

 



 

 

 

         

   

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