DIA INTERNACIONAL DE QUÊ?
© Maria Teresa Albani
Maytê
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E é novamente Dia Internacional da Mulher, a data discriminatória, machista e paternalista, onde os homens nos dizem: "nós somos bonzinhos e vamos dedicar um dia inteiro a vocês".

Por que temos o Dia Internacional da Mulher se não existe o Dia Internacional do Homem? Afinal, com o Dia Internacional da Mulher não se pretende promover a igualdade entre ambos? Então por que essa discriminação? Por que eles, que adoram reivindicar sua supremacia, não se incomodam com o fato de não terem um dia todo seu? Ao contrário, não é mesmo? Eles nos são condescendentes um dia por ano, e apenas um dia por ano, baixam as armas e nos dizem: Viva!

Eu abdico da parte que me caberia neste festejo. Abdico do "privilégio" de me abrirem a porta do carro, de trocarem o pneu por mim, de me chamarem de sexo frágil; de me dizerem "queridinha, essas coisas não são para uma pessoinha tão delicada (irgh). Na sociedade machista em que vivemos, os homens enviarão elogios e elogios às mulheres que, apesar de gritarem por igualdade, por justiça, por salários eqüitativos, pelas mesmas condições e pelo mesmo tratamento dado aos homens, se derretem todas porque UM DIA NO ANO são lembradas. E não como seres normais, pensantes, atuantes e participantes, mas sim como seres DIFERENTES... 

Quero ser especial para os que me amam. E que me amam por admirarem a forma como me conduzo no mundo, e a maneira como luto pelo meu lugar ao sol; e pelo cansaço que sinto no fim do dia e pela vontade de sentar numa poltrona, esticar as pernas e dizer: João, me serve um uísque que estou morta de cansada... (rindo muito). E vai daqui um aviso à ala masculina: não sou feminista. Nem mal amada... ... nem... sabem o quê. Gosto muito dos homens, de um modo geral, e até concordo que muitas das discriminações que sofremos são por nossa culpa mesmo. Já viram homem chorar por levar bronca de chefe, por exemplo? 

Mas isto em nada invalida o fato de achar que, ao invés de um dia no ano ser lembrada, seria bem melhor que meu trabalho fosse remunerado da mesma forma que o do meu colega da mesa em frente; que as mulheres não precisassem estudar dobrado nem se esforçar dobrado para serem consideradas eficientes; que mulheres com filhos não fossem olhadas pelos empregadores como aves raras, que os homens não batessem em suas mulheres (e que elas não aprendessem a gostar de apanhar), que não existisse uma Delegacia das Mulheres, e que homem nenhum dissesse, NEM BRINCANDO, a pérola que um poeta escreveu ontem: ... MULHER VERDADEIRA é aquela que tem horror de cartão de crédito. Que canta como um passarinho quando está engomando o meu colarinho. Que não sai tocando buzina, gastando a minha gasolina..." 
Poeta: hoje as mulheres tem seus próprios cartões de crédito. E elas mesmas põem gasolina nos carros que elas mesmas compraram. 

Portanto, meninas, leitoras, amigas e mulheres lutadoras, que são força atuante neste país ainda machista (quando eu morava em Porto Alegre, abominava a prática dos maridos levaram as "patroas" para almoçar fora aos domingos pois... bem, um dia na semana elas merecem descansar), que tal começarmos um movimento para criar o Dia Internacional dos Homens e depois, em total igualdade, aí sim termos um motivo para festejar? E festejarmos, então, juntos, a tão sonhada parceria?

Maria Teresa Albani
Maytê

 



 

 

 

         

   

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