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Abro a janela e recolho a manhã
em meus olhos saturados
de tanto anoitecer.
Respiro a brisa que passa
sussurrando carícias
escorrendo seus dedos frescos
pelo meu corpo nu.
O frio da manhã virgem
cobre meus seios mornos
de tristezas abstratas.
Desde que Eva saiu do Paraíso
todas as mulheres sentem esse vazio.
Nenhuma sabe explicar-lhe a razão.
Sinto que perdi alguma coisa
ao longo do caminho,
desde a minha criação.
Sou Eva solitária. Sem Adão.
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